O chefe das Forças Armadas de Honduras, general Romeo Vásquez, disse em uma entrevista à BBC que a instituição apoiará uma solução negociada para a crise, mas não a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país. Estamos apoiando nosso governo nas suas negociações.

Somos uma instituição subordinada", disse, em entrevista à repórter da BBC Mundo em Tegucigalpa, Cecília Barria.

Ele negou que membros do Exército tivessem viajado aos Estados Unidos para representar a instituição em negociações secretas.

"Não há ninguém representando o Exército de Honduras em negociações em Washington. Tudo se faz através dos canais correspondentes. Nós somos uma instituição subordinada, nos apegamos ao que manda a Constituição da República."

AP

Manifestantes a favor de Zelaya encaram exército hondurenho

Um comunicado do Exército na semana passada levantou especulações de que a instituição apoiaria a volta do presidente Zelaya, uma proposta feita pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, principal mediador da crise.

Esta hipótese vem sendo rejeitada pelo governo interino, encabeçado por Roberto Micheletti, que ameaça Zelaya de prisão e diz que vai levá-lo à Justiça se retornar ao país.

O presidente deposto está acampado na fronteira de Honduras com a Nicarágua, por onde entrou - por cerca de 30 minutos - em solo hondurenho, em um ato simbólico na sexta-feira.

O gesto foi interpretado como um jogo de cena e criticado até mesmo pelos Estados Unidos, que condenaram o golpe de Estado em Honduras.

No domingo, Zelaya indicou que considera a postura americana na crise pouco clara, e reclamou dos americanos mais dureza para com o governo interino.

Em um discurso feito através de um megafone para militantes e jornalistas, ele exigiu "que o governo americano deixe de evadir o tema da ditadura, que a enfrente com força para saber realmente qual é a postura dos Estados Unidos em relação a este golpe de Estado".

Ele disse que não recebeu nenhum convite para reunir-se com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na terça-feira.

Tensão

A movimentação empreendida por Zelaya levou o governo interino a ampliar o toque de recolher nas cidades da fronteira. A ordem de permanecer em casa vem sendo estendida por períodos adicionais de 12 horas desde a sexta-feira.

O Exército e a Polícia Nacional têm agido como garantidores da medida.

Na entrevista à BBC, o general Romeo Vásquez disse que "não há ordem" de disparar contra os manifestantes na eventualidade de caos - mas pediu que os apoiadores de Zelaya adotem a "prudência" para evitar criar situações violentas.

"Sempre pode haver confusão se os manifestantes realizarem ações violentas. São eles que atacam as forças de segurança", disse.

"Há pessoas que incitam a violência e por isso estamos pedindo prudência, para que não provoquem situações que possam gerar perdas de vidas humanas."

O general afirmou que o Exército não considera a atual crise em Honduras como um golpe de Estado, e que a instituição expulsou Zelaya do país com base em uma decisão do máximo tribunal de Justiça hondurenho.

"Não sei como podem dizer que é um golpe de Estado. Nós recebemos a ordem da Corte Suprema de Justiça. Nós cumprimos a ordem, depois saímos da área e voltamos novamente aos quartéis", afirmou.

"A Constituição diz que as Forças Armadas são as encarregadas de velar pelo cumprimento da lei. Se tivesse havido um golpe de Estado, nós estaríamos no poder."

Para o general, "as autoridades que ficaram legalmente constituídas estão funcionando no país".

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