Exército de Resistência do Senhor matou pelo menos 400 na RDC desde o Natal

Kinshasa, 30 dez (EFE).- Pelo menos 400 pessoas foram assassinadas desde o dia de Natal, 25 de dezembro, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC) pelos rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), informou hoje a emissora congolesa Rádio Okapi, que cita a organização católica Caritas.

EFE |

A emissora, promovida pela ONU, assinalou que a Missão das Nações Unidas no congo (Monuc) mobilizará soldados na região do Alto Uele para tratar evitar novos ataques deste grupo, cujo chefe, Joseph Kony, é processado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.

Como conseqüência dos massacres, cerca de 30 mil pessoas da região atacada pelo LRA abandonaram suas casas e se encontram refugiadas a dezenas de quilômetros do local, segundo funcionários congoleses consultados pela Agência Efe.

O Governo congolês anunciou hoje que mobilizará todos seus recursos para enfrentar aos rebeldes ugandenses, segundo manifestou o ministro de Comunicação, Lambert Mende, citado pela "Rádio Okapi".

"As operações de desdobramento estão em andamento e esperamos o apoio das tropas da Monuc", disse Mende.

As Forças Armadas Congolesas, segundo o ministro, realizam operações para se unirem às forças sudanesas e protegerem as povoações civis, em colaboração com o Exército de Uganda.

Mende também pediu a colaboração do Governo da República Centro-Africana, para impedir que os rebeldes ugandenses cruzem seu país, onde poderiam cometer os mesmos massacres que na RDC.

Ontem, o Escritório de Coordenação da Ajuda Humanitária da ONU (Ocha), informou em Kinshasa que os mortos em conseqüência dos ataques do LRA nos últimos dias eram, pelo menos, 189, no distrito de Alto-Uele, nas localidades de Faradje, Doruma e Gurba, mas hoje a Caritas dobrou o número.

Segundo as informações divulgadas ontem pela Ocha, a maioria dos mortos são crianças, mulheres e idosos.

O médico-chefe da zona de Faradje, colaborador do Fundo das ONU para a População (UNFPA), dois pastores protestantes, os inspetores de ensino fundamental e médio, um farmacêutico, o presidente da Federação de Empresas do Congo e o adjunto da Direção Geral de Migrações estão entre as vítimas.

Além disso, o mesmo relatório assinala que o LRA seqüestrou cerca de 20 crianças, supostamente para utilizá-las como soldados.

No entanto, o porta-voz do LRA, David Nyekorach-Matsanga, pediu ontem, em declarações à "Rádio Okapi", uma investigação independente para determinar a responsabilidade destes massacres, pelos quais responsabilizou o Exército ugandense. EFE py/jp

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