Exército de Honduras tira do ar emissoras de rádio e TV simpáticas a Zelaya

TEGUCIGALPA - Soldados do Exército de Honduras invadiram e tiraram do ar na madrugada desta segunda-feira a emissora de rádio Globo e o canal de TV 36, horas depois que o governo anunciou medidas para silenciar meios de comunicação que apoiam o presidente deposto, Manuel Zelaya.

Redação com agências internacionais |

Tanto a Rádio Globo quanto o Canal 36 são identificados como favoráveis ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que está abrigado há uma semana na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

De acordo com um funcionário da Rádio Globo ouvido pela emissora de televisão Telesur, militares entraram na sede da emissora por volta de 5h da manhã desta segunda-feira, horário local (8h, horário de Brasília).


Soldados hondurenhos cercam sede da Rádio Globo em Tegucigalpa / Reuters

Após o fechamento das emissoras, o presidente deposto, Manuel Zelaya, pediu que a comunidade internacional "reaja imediatamente". "Eles silenciaram as únicas vozes o que o povo hondurenho tinha, estão matando nosso espírito de forma cruel e desumana", disse Zelaya.

Zelaya disse que o fechamento da rádio e da tv é uma evidência de que foi instaurada uma ditadura brutal em Honduras.

Restrições por decreto

Na noite de domingo, o governo de fato de Honduras assinou um decreto que prevê o fechamento de meios de comunicação, a dissolução de reuniões públicas não autorizadas e a prisão de indivíduos que incitem à insurreição.

Em cadeia nacional de TV, o governo de fato informou que decidiu "interditar qualquer reunião pública não autorizada e impedir a transmissão, por qualquer veículo, de programas que ameacem a paz".

A mensagem destaca que diante dos chamados à insurreição realizados pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, e a fim de se evitar que "a grande maioria da população hondurenha seja afetada", os policiais e militares poderão deter "qualquer pessoa que coloque em risco sua própria vida ou a de outros".

O decreto autoriza ainda a "evacuação" de locais ocupados por manifestantes e pede aos partidários de Manuel Zelaya que "respeitem suas disposições". As restrições, que serão ratificadas pelo Congresso hondurenho, deverão vigorar pelo prazo de 45 dias.

Pelo decreto, a empresa de telecomunicações Conatel poderá bloquear qualquer emissão julgada atentatória à ordem pública.

Um funcionário do governo de fato, que pediu para não ser identificado, disse à AFP que "já são conhecidos" os meios de comunicação que estão incitando à insurreição contra as atuais autoridades, no poder após o golpe que derrubou Zelaya, em 28 de junho passado.

O decreto visa especialmente a rádio Globo e o canal 36 de TV, ambos de Tegucigalpa, dois veículos claramente identificados com a Frente de Resistência ao Golpe de Estado, e que defendem o retorno de Zelaya à presidência.

Zelaya, que está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, denunciou que "estão restringindo as liberdades de movimento, expressão de pensamento, organização e reunião". "Todas estas liberdades que são uma conquista da humanidade ao longo dos séculos".

Segundo o presidente deposto, a medida também autoriza o Exército e a Polícia a deter qualquer pessoa suspeita de realizar atividades políticas ou que circule em via pública durante o horário do toque de recolher imposto pelo governo.

Os toques de recolher são adotados diariamente pelo governo de fato.

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