Exército de Fiji ocupa BC e destitui seu presidente

Sydney (Austrália), 14 abr (EFE).- O Exército ocupou hoje o banco central de Fiji, destituiu seu presidente, Savenaca Narbue, e aplicou medidas para proteger a reserva de divisas do país, que em fevereiro rondava os US$ 384 milhões.

EFE |

O vice-presidente da autoridade monetária, Sa'adah Reddy, anunciou depois, em comunicado, que o BC de Fiji tinha alterado as normas de modo que algumas transações foram canceladas, outras precisarão agora da autorização do banco central e as demais continuarão como estavam, mas com um volume menor, segundo a imprensa local.

A ocupação do banco central é outro movimento do regime de Frank Bainimarama para reforçar sua posição, depois que um tribunal, na quinta-feira passada, declarasse nula a dissolução do Governo de Laisenai Qarase em 2006 e dissesse que o chefe de Estado, Josefa Ilioli, deveria nomear um premiê interino para convocar eleições.

No dia seguinte à sentença, o líder derrogou a Constituição de 1997 e destituiu Bainimarama como premiê, embora tenha continuado como chefe das Forças Armadas.

No sábado, em processo considerado uma "farsa" por observadores internacionais, Iloilo nomeou Bainimarama primeiro-ministro interino para um período de cinco anos e decretou estado de exceção, o que lhe permitiu expulsar três jornalistas do país e controlar a imprensa.

As autoridades também fecharam a Comissão de Direitos Humanos de Fiji, corpo que tinha sido criado com a Constituição que foi derrogada na sexta-feira pelo presidente.

"Desta vez estamos vendo a cara feia do regime com o qual se estão sendo suprimidas as liberdades pessoais, as liberdades de informação e se está atuando sobre instituições e indivíduos que desafiam o Governo", afirmou o chanceler da Nova Zelândia, Murray McCully.

O australiano Sean Dorney, um dos três jornalistas que foram expulsos nos últimos dias, manifestou hoje, ao chegar a seu país, que "é um controle militar total neste momento" em Fiji.

Austrália, Nova Zelândia e as demais nações membros do Fórum do Pacífico estudam que tipo de sanções aplicar contra Fiji para que, sem prejudicar a população, consiga que se restabeleça a democracia.

Bainimarama, que dirigiu o golpe de Estado que depôs Qarase, se comprometeu com a União Europeia em 2007 a convocar eleições em março de 2009, mas recuou e considerou que o prazo era insuficiente para reunir todas as reformas que acredita serem necessárias para garantir um pleito livre e justo.

O levante de 2006 abriu um novo capítulo na crise vivida no país, fruto das lutas entre os chamados fijianos puros, que representam 51% da população, e os descendentes de indianos, levados ao país para trabalhar nas plantações, que formam 44%.

Qarase e Bainimarama pertencem à primeira comunidade, mas o segundo apoia um país plural. EFE mg/rr

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