Exército da Guiné-Bissau afirma que respeitará a ordem constitucional

Oficiais do exército de Guiné-Bissau afirmaram nesta segunda-feira, em comunidado, que irão respeitar a ordem constitucional e a democracia, depois da morte do presidente João Bernardo Vieira, assassinado por soldados do país.

Redação com agências internacionais |


"O exército, fiel a seu dever, respeitará a ordem constitucional e a democracia", afirma a nota. "Os militares informam que a situação está sob controle e lançam um pedido à população para quem mantenham a calma".

AP
Joao Bernardo Vieira, em foto de 2006
Joao Bernardo Vieira,
em foto de 2006


João Bernardo Vieira foi morto por soldados nesta segunda-feira, horas depois de o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do país, o general Tagme Na Waie, ter sido assassinado em um ataque a bomba, no domingo. Segundo um porta-voz do Exército, Vieira, de 69 anos, teria sido morto a tiros quando tentava fugir de sua casa, que estava sendo atacada. Há relatos de que a residência tenha sido saqueada pelos soldados. O Exército responsabiliza o presidente pela morte de Tagme Na Waie.

"Ele era um dos principais responsáveis pela morte de Tagme", afirmou o chefe militar de Relações Exteriores, Zamura Induta. "Agora, o país vai avançar. Este homem bloqueava tudo neste pequeno país", completou o oficial.

João Bernardo Vieira, conhecido como "Nino", controlou Guiné-Bissau por quase 23 anos. Ele havia sido reeleito para a Presidência do país do Oeste africano em 2005, após passar nove anos fora do poder, e sido deposto durante uma guerra civil que durou 11 meses.

Em 23 de novembro, um grupo militar já havia atacado a residência de Vieira, em uma ação que matou dois seguranças. Guiné-Bissau tem um histórico de golpes e motins desde que se tornou independente de Portugal, em 1974.

Nos últimos anos, o país se tornou uma rota do tráfico de drogas da América Latina para a Europa, o que, na opinião dos analistas, contribui ainda mais para abalar as já fragilizadas instituições estatais.

O governo de Portugal divulgou um comunicado dizendo que iria convocar uma reunião de emergência da Comunidade Portuguesa de Língua Portuguesa (CPLP) para debater os acontecimentos na Guiné-Bissau.

(Com informações da AFP e da BBC)

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