Exército colombiano mata chefe militar das Farc

Para presidente, esse é o golpe mais duro que a guerrilha já sofreu; Mono Jojoy era tido como o líder mais violento das Farc

iG São Paulo |

O chefe militar das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia Farc, Jorge Briceño, conhecido como Mono Jojoy, foi morto em um bombardeio das Forças Armadas em uma região de selva no sudeste do país nesta quinta-feira.

A morte de Mono Jojoy foi o mais duro golpe contra o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde que seus dois principais dirigentes morreram em 2008.

Ele foi alvo de um bombardeio lançado pelos militares na zona rural de La Escalera, no município de La Macarena, departamento de Meta, juntamente a outros 20 guerrilheiros.

De acordo com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, “esse é o golpe mais contundente contra as Farc em toda a sua história”. Santos, que se encontra em Nova York onde participa da 65ª Assembleia Geral da ONU, disse ainda que a morte de Jojoy foi um golpe mais forte que o assassinato de Raúl Reyes, em 2008, considerado o número 2 da guerrilha. “Mono Jojoy representava o terror das Farc”, completou.

O governo da Colômbia oferecia uma recompensa de US$ 2,7 milhões por Briceño, considerado pelas Forças Armadas o líder guerrilheiro mais violento e sanguinário e acusado de centenas de assassinatos, massacres e sequestros durante o conflito interno colombiano. Ele foi o idealizador da estratégia das Farc de seqüestrar policiais e militares para trocá-los por guerrilheiros presos.

“Participaram mais de 30 aviões, aproximadamente 27 helicópteros, e durante o dia de ontem houve a tentativa de desembarcar onde ocorreu a operação”, disse o presidente. “Ao resto das Farc queremos dizer-lhes que vamos buscá-los. Não vamos baixar a guarda e falta muito caminho a percorrer.

Víctor Julio Suárez Rojas, apelidado de Jorge Briceño ou Mono Jojoy, nasceu em fevereiro de 1953, em Cabrera, no departamento de Cundinamarca, e era membro do secretariado - a instância máxima política e militar das Farc.

Suárez Rojas teria se vinculado ao grupo armado em 1975 como guerrilheiro raso, e pouco a pouco foi subindo na organização até se converter em chefe militar.

Na quarta-feira, o presidente colombiano garantiu que as ações militares contra as Farc continuariam e insistiu que a única condição de diálogo seria o fim dos "atos terroristas". No mesmo dia, a organização havia dito que estava aberta a conversas desde que estas não impusessem "condições prévias".

No domingo passado, o Exército realizou um bombardeio perto da fronteira com o Equador, deixando mais de 20 rebeldes mortos, segundo dados oficiais. A ofensiva ocorreu depois que mais de 40 agentes policiais e militares foram assassinados recentemente por membros das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

“Vitória importante”

A morte de Jojoy foi uma "vitória importante", afirmou um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano. "Isto é uma importante vitória para a Colômbia e representa um grande golpe contra a maior organização terrorista do hemisfério", declarou o porta-voz da diplomacia dos Estados Unidos, Charles Luoma-Overstreet.

O Departamento de Estado mantém as Farc em sua lista de organizações terroristas estrangeiras, junto com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

"Apoiamos fortemente os esforços do povo colombiano, de suas forças de segurança e do presidente Santos para combater as Farc", acrescentou Luoma-Overstreet.

Ele ainda assegurou que o grupo guerrilheiro "continua sendo uma organização terrorista envolvida no tráfico de drogas, sequestros e extorsões".

*Com Reuters, AFP e Ansa

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