Exército chileno desvinculará ex-repressores da instituição

Valparaíso (Chile), 8 set (EFE).- O comandante do Exército chileno, general Óscar Izurieta, anunciou hoje que desvinculará os 13 antigos repressores que trabalham para a instituição e que estão processados em casos de violações aos direitos humanos.

EFE |

Izurieta e o ministro da Defesa, Francisco Vidal, compareceram perante a Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados para dar explicações após se conhecer que seis antigos repressores processados pela Justiça continuam contratados pelo Exército, enquanto sete mais recebem salário por honorários.

O jornal La Nación revelou recentemente que o Exército paga salários de até US$2,2 mil mensais a vários ex-repressores da ditadura militar (1973-1990), alguns dos quais se encontram processados pela Justiça.

A lista publicada pelo jornal inclui os nomes de ex-agentes da Polícia secreta, de um médico que torturou a prisioneiros e de um fiscal que falsificou documentos para encobrir o crime do diplomata espanhol Carmelo Soria, sequestrado e assassinado em 1976.

"O Exército considerou a presunção de inocência e se regeu estreitamente aos processos de contratação", explicou Izurieta.

"No entanto, em virtude das orientações e as novas disposições que o Governo estimou pertinentes a estes casos se resolveu cessar todos os contratos das pessoas submetidas a processo", acrescentou.

O chefe do Exército assegurou que a instituição atuou sempre com respeito ao Estado de direito e apegado à legislação vigente sobre a matéria.

Nesse sentido, lembrou que se estabeleceu que não se desvincularia aos uniformizados em ativo que sejam processados, mas não condenados pela Justiça, critério que depois se ampliou ao pessoal aposentado ou que recebe por honorários.

"O haver pertencido a uma agência de inteligência não é causa de desvinculação do serviço ativo, se desvincula a uma pessoa do serviço ativo quando é condenada em primeira instância", reiterou o ministro da Defesa.

No entanto, disse que este critério deixará de reger para o pessoal aposentado e que esteja processado em casos de violações aos direitos humanos, como os 13 que serão desvinculados da instituição.

"Há agora uma mudança de olhar, o Exército é uma instituição que em um Estado de direito está submetida ao poder político e há uma mudança de olhar ao respeito", indicou Izurieta. EFE gn-gs/fk

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