Exército boliviano adverte radicais e Governo e oposição buscam diálogo

La Paz, 12 set (EFE).- As Forças Armadas da Bolívia advertiram hoje que não tolerarão mais que radicais promovam a violência, enquanto o Governo de Evo Morales e a oposição abriram uma nova opção de diálogo para solucionar os graves conflitos do país.

EFE |

A posição das Forças Armadas foi fixada por seu comandante-em-chefe, general Luis Trigo, em coletiva de imprensa junto com o Alto Comando militar.

No comparecimento perante a imprensa, também rejeitou a "intromissão" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, nos assuntos internos da Bolívia.

"Advertimos que não vamos tolerar mais a ação de grupos radicais violentos que só estão gerando o enfrentamento entre bolivianos, provocando dor e luto entre irmãos e atentando contra a segurança nacional", disse Trigo.

Os militares, que receberam ordem de Morales de não usar armas de guerra contra os manifestantes, foram várias vezes agredidos e atacados, e tiveram que se retirar para evitar o confronto ou usar gás lacrimogêneo para dispersar seus agressores.

Os distúrbios violentos tiveram como principais cenários os departamentos (estados) de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, governadas por opositores autonomistas.

Nelas impera a desordem provocada por mais de 30 cortes de estradas, ocupações de entidades e de empresas do Estado e ataques a várias instalações petrolíferas.

O pior momento do conflito aconteceu na quinta-feira quando camponeses leais a Morales e grupos da Prefeitura de Pando se enfrentaram a tiros em um choque que deixou nove mortos e, segundo diversas fontes, entre 30 e 40 feridos.

O impacto das manifestações começou a ser sentido no oeste do país, onde está a sede do Governo, La Paz, por uma relativa escassez de combustíveis produzida porque muitas usinas petrolíferas estão ocupadas no leste.

Os militares começaram na noite de quinta-feira a mobilizar mais tropas em direção aos campos petrolíferos com o propósito de evitar que as ocupações continuem como as que afetaram parcialmente o envio de gás para Brasil e Argentina.

Em seu comparecimento perante a imprensa, o general Trigo explicou que o fato de "não ter atuado com violência ou usado armas" contra o povo boliviano durante a onda de protestos, não significa que as Forças Armadas estejam contra a ordem constitucional.

Trigo também rejeitou o que chamou de "intromissão" do presidente Chávez que na quinta-feira advertiu que se Morales fosse derrubado ou morto nesta onda de protestos, os opositores bolivianos estariam dando "sinal verde para apoiar qualquer movimento armado na Bolívia".

As Forças Armadas "não permitirão que nenhum militar ou força estrangeira pisem em território nacional", assegurou Trigo.

De forma quase simultânea à advertência militar de não permitir mais atos radicais, o Governo e os governadores departamentais da oposição concordaram em abrir um novo espaço de diálogo para buscar uma solução que termine com o prolongado conflito.

Morales convocou para uma reunião o governador de Tarija, Mario Cossío, como porta-voz dos líderes de Santa Cruz, Rubén Costas; de Beni, Ernesto Suárez e de Pando, Leopoldo Fernández, todos unidos quanto à reivindicação de um regime autônomo para suas regiões.

Estes governadores departamentais promoveram um plano de protestos para exigir que o Executivo devolva às regiões a renda do setor petroleiro cortada em janeiro passado, mas também rejeitam de forma veemente o projeto para a nova Constituição impulsionado por Morales.

Cossío pediu ontem a Morales que ambas as partes se dessem "uma última oportunidade" e "que marque dia, lugar e hora para firmar as bases do diálogo e iniciar o processo de reconciliação".

Morales replicou que o "diálogo está aberto", mas para analisar "razões, não imposições", enquanto seu ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, concretizou o convite a Cossío para se reunir em La Paz a partir das 18h local (19h, de Brasília).

Ao longo do ano, ocorreram já até três tentativas de diálogo entre o Governo e seus opositores que terminaram em fracasso pela inflexibilidade de ambas as partes. EFE ja/bm/rr

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