Exército alerta governo do Paquistão sobre 'consequências' de acusações

Militares denunciam 'conspiração' em meio a rumores de que preparam golpe contra governo civil no poder desde 2008

iG São Paulo |

O Exército do Paquistão alertou nesta quarta-feira para “graves consequências” após o primeiro-ministro do país, Yousuf Reza Gilani, ter acusado o chefe das Forças Armadas de violar a Constituição. Em nota, o Exército afirmou que as acusações do governo contra militares têm “sérias ramificações”, sem detalhar.

As tensões entre o governo civil, no poder desde 2008, e os militares têm aumentado desde um escândalo conhecido como “memogate”, que veio à tona no ano passado. O caso começou após o vazamento de um memorando no qual a administração do presidente Asif Ali Zardari pede ajuda aos Estados Unidos para barrar um possível golpe militar.

Leia também: Exército do Paquistão nega rumores sobre golpe de Estado

AP
Gilani (direita) e Kayani (centro) são vistos em reunião em Islamabad, no Paquistão (11/11)
Durante a investigação, o chefe do Exército, general Ashfaq Pervez Kayani, e o chefe da agência de espionagem, general Ahmed Shuja Pasha, enviaram depoimentos a um tribunal nos quais disseram que o memorando é parte de uma conspiração contra os militares.

Nesta semana, Gilani afirmou que, ao fazê-lo, Kayani e Pasha tinham violando a Constituição. A declaração foi feita durante uma entrevista a um jornal chinês, reproduzida pela agência estatal paquistanesa.

Além disso, o secretário da Defesa, Naeem Khalid Lodhi, foi demitido por “má conduta” no caso. General aposentado, Lodhi era visto como representante militar no governo civil e muitos consideravam que seus poderes eram maiores que o do ministro da Defesa.

Em dezembro, sem fazer acusação direta aos militares, Gilani afirmou que uma conspiração tenta derrubar o governo civil do país. "Quero deixar claro que há conspirações sendo incubadas aqui para derrubar o governo eleito", disse o premiê em pronunciamento. "Mas vamos continuar a lutar pelos direitos do povo paquistanês, se continuarmos ou não no governo."

Na época, o Exército negou as acusações . Os militares já controlaram o país durante muitos anos e levaram a cabo quatro golpes de Estado.

A morte de Osama Bin Laden, em maio de 2011, também foi motivo de tensão entre o governo e os militares. O Exército não foi previamente avisado da operação americana que capturou Bin Laden, que vivia em uma mansão próxima a uma base militar. Gilani, por sua vez, questionou como Bin Laden teria vivido no país por seis anos sem ser descoberto.

Com AP e BBC

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