Exército age para impedir ação do tráfico e de milícias nas eleições

Manuel Pérez Bella. Rio de Janeiro, 11 set (EFE).- Militares ocuparam hoje vários bairros do Rio de Janeiro para evitar que grupos armados consigam estender seu poder às instituições políticas nas próximas eleições municipais.

EFE |

A atuação do Exército e da Marinha respondeu a um pedido de auxílio do Governo local para combater as facções de traficantes e os milicianos - formados por policiais corruptos e aposentados -, que disputam o poder nas favelas e ameaçam a população a votar em seus candidatos nas eleições municipais de 5 de outubro.

No início da manhã, cerca de 3.500 soldados chegaram a sete das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro em carros blindados, tanques e ônibus de transporte militar.

Portando fuzis, os soldados avançaram junto rua por rua, buscando os criminosos, que tinham fugido antes da chegada dos militares, alertados por seus informantes, que estavam a postos vigiando de pontos estratégicos e lançaram fogos de artifício para avisar a chegada da tropa.

O capitão da Marinha Paulo Fernando Amorim de Campo explicou à Agência Efe que espera que as tropas "coíbam as ações indesejáveis" dos grupos armados, que amedrontam à população para tentar colocar seus aliados na câmara.

No entanto, a presença dos militares será limitada porque o contingente de 10.500 soldados será insuficiente para cobrir ao mesmo tempo as 27 favelas mais problemáticas, segundo as autoridades eleitorais.

Os cerca de 500 fuzileiros navais que ingressaram hoje de manhã no conjunto de favelas Complexo da Maré, considerada uma das principais portas de entrada de drogas no Rio, devem abandonar a região hoje mesmo, já que amanhã começam outra missão.

As tropas intervirão de forma rotativa nas diferentes favelas até o segundo turno das eleições, prevista para 26 de outubro nas cidades de mais de 200 mil habitantes em que nenhum candidato a prefeito conseguir mais de 50% dos votos, como, segundo as pesquisas, deve ser o caso do Rio.

A polêmica presença dos militares despertou medo e suspeita na população que, exceto pelas crianças e adolescentes, evitou falar com a imprensa alegando motivos de "segurança".

Um jovem estudante de 15 anos, identificado como Zé Carlos, disse à Efe no Complexo da Maré que a presença de "tantos" militares "intimida o povo humilde", embora reconhecesse que os traficantes que controlam a área estavam "pressionando" a população por causa das eleições.

Rayoane, uma menina de 6 anos, assegurou que sentiu "muito medo" ao ver tantas armas, mas sua irmã Anna, de 9, assegurou que gosta de ver as tropas, "porque a violência tem que parar um pouco", pois já viu "muitos tiros".

As ações dos militares estão limitadas pela autoridade eleitoral.

Não podem revistar os vizinhos nem deter supostos autores de crimes comuns, a não ser que os peguem em flagrante.

Também não realizarão tarefas de escolta dos candidatos, que foram ameaçados e extorquidos ao fazer campanha nas favelas, e se limitarão a criar um "ambiente propício" para o desenvolvimento livre das eleições, segundo declarações dos responsáveis eleitorais.

A utilização do Exército em tarefas de segurança recebeu duras críticas de diversas organizações sociais, depois que em junho passado um grupo de militares capturou três jovens do morro da Providência e os entregou para traficantes que os torturaram e assassinaram.

Os 11 envolvidos, que participavam das tarefas de segurança de obras públicas, reconheceram os fatos e, por isso, foram acusados de homicídio em primeiro grau. EFE mp/bm/rr

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