Exército afegão e Otan iniciam ofensiva para afastar talibãs de Kandahar

Lutfullah Ormurl Cabul, 18 jun (EFE).- Tropas do Exército afegão e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciaram hoje uma operação no sul do Afeganistão que já deixou 25 mortos e que busca recuperar o controle de cinco localidades tomadas pelos insurgentes.

EFE |

Segundo o Ministério da Defesa do Afeganistão, dois soldados afegãos e três talibãs morreram em um tiroteio no distrito de Arghanbad, a 20 quilômetros da cidade de Kandahar, enquanto outros 20 supostos insurgentes morreram em um bombardeio da aviação da Otan.

A operação começou às 6h de hoje (22h30 de ontem), na margem oeste do rio Arghanbad, que dá nome à região onde estão as cidades ocupadas, como "resposta a uma ameaça direta talibã contra o povo", informa a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, em inglês), sob comando da Otan.

"Está claro que a cidade de Kandahar continua firmemente sob controle do Governo afegão e de seu povo", afirmou hoje em comunicado o tenente-coronel Dave Corbould, que comanda as tropas canadenses presentes em Kandahar.

Com milhares de soldados afegãos já posicionados em Arghanbad, a operação continuará até a saída dos insurgentes, segundo Zahir Azimi, porta-voz do Ministério da Defesa afegão, embora a Isaf preveja que a operação dure três dias.

Um representante talibã, Qari Yousuf Ahmadi, disse ontem à Agência Efe que os insurgentes estão preparados para defender as localidades tomadas na ofensiva militar.

"O povo está conosco, nos querem aqui. Agora, as forças afegãs e da Otan estão tentando defender a cidade de Kandahar, mas temos o controle de todo o distrito" vizinho de Arghanbad, afirmou Ahmadi por telefone.

No entanto, esta versão contrasta com a de um líder tribal do distrito, que contou à Efe que os insurgentes colocaram minas nas estradas da região, destruíram pontes das localidades tomadas e estão forçando os aldeões a ficarem para lutarem com eles.

Na última segunda, aviões da Otan jogaram panfletos de aviso para que os aldeões saíssem da região, e centenas de pessoas tiveram que deixar suas casas.

O trabalho de apoio da Isaf se concentrou no aumento das patrulhas e dos postos de vigilância tanto na capital regional, quanto no distrito das localidades tomadas pelos talibãs, contíguas à cidade.

"Após voltar do centro do distrito de Arghanbad posso garantir que não havia sinais óbvios de atividade insurgente. Isto não significa que os talibãs não estão ali, mas que não têm o que reivindicar", declarou Corbould no comunicado.

"As reivindicações insurgentes conseguiram intimidar a população da região. Isto poderia ter feito os aldeães exagerarem nos testemunhos de atividade insurgente, mas entendemos sua preocupação com o que sofreram em anos passados", acrescentou.

As localidades foram tomadas por várias centenas de supostos talibãs, depois que em 13 de junho um grupo islâmico assaltou a principal prisão de Kandahar e libertou cerca de 900 presos, entre eles pelo menos 350 supostos insurgentes.

Com sua ação em Arghanbad, os combatentes talibãs - cujas forças foram exageradas, segundo a Isaf - ameaçam não apenas Kandahar, mas também a rota estratégica que une Cabul às cidades do sul e do oeste do Afeganistão.

Kandahar é um dos redutos tradicionais dos talibãs no Afeganistão, país onde mais de 1.600 pessoas morreram este ano por causa da violência.

Na última terça, quatro soldados britânicos morreram e um ficou ferido em uma explosão na província de Helmand (sul), informou hoje o Ministério da Defesa do Reino Unido. EFE lo/wr/fal

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