Exército acaba com protestos na Tailândia

Gaspar Ruiz Canela. Bangcoc, 14 abr (EFE).- Os líderes dos manifestantes que pediam a queda do Governo da Tailândia foram obrigados hoje pelo Exército e pela Polícia a encerrar os protestos, após dois dias de violência que deixaram dois mortos e 123 feridos.

EFE |

A desmobilização dos protestos contra o Governo do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, foi anunciada por seus chefes depois que as tropas cercaram as cerca de 2 mil pessoas que permaneciam no interior do último acampamento rebelde, na entrada do palácio governamental, em Bangcoc.

Antes disso, diversos líderes dos "camisas vermelhas" -chamados assim pela cor das roupas que vestem- reuniram-se nas proximidades do Palácio de Governo com o chefe da Polícia nacional, o general Phatcharawat Wongsuwan, para traçar o plano de retirada, conforme a Agência Efe presenciou no local.

Muitos manifestantes, abatidos e em silêncio, abandonaram o local no qual se entrincheiraram durante quase três semanas, levando bandeiras, fotografias de seu líder máximo, o ex-primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra, e móveis e utensílios pessoais, inclusive geladeiras portáteis e fogareiros.

À medida que saíam do acampamento pelo corredor formado por cerca de 300 soldados, os manifestantes eram revistados e suas propriedades inspecionadas pelos policiais, para garantir que eles não escondiam armas.

Em ordem, os manifestantes subiram depois nos 60 ônibus que as autoridades puseram à disposição deles para levá-los de volta às províncias do país de onde haviam chegado no final de março, quando os organizadores do protesto decidiram concentrar seus partidários em Bangcoc.

O diretor da Polícia nacional disse aos jornalistas que os dirigentes dos protestos serão acusados formalmente de descumprimento das restrições impostas pelo estado de exceção, declarado em Bangcoc e em outras cinco províncias vizinhas à capital há dois dias.

"Todos os líderes do protesto serão acusados. As ordens de captura serão emitidas em poucas horas, por assembleia ilegal, proibida pelo estado de exceção", disse o general Wongsuwan.

Os dirigentes dos protestos pediram a seus correligionários que se dissolvessem de forma pacífica, pouco depois que os soldados deram tiros para o alto enquanto avançavam em direção ao acampamento que mantinham cercado desde o início da manhã (pelo horário local).

Até o último instante, os manifestantes aguardaram atrás de barricadas formadas por grades metálicas, troncos de árvores arrancados, automóveis, pneus, e se armaram com coquetéis Molotov, pedras e tijolos, segundo relatos das testemunhas.

Na véspera, as tropas deram tiros para o alto diversas vezes, a fim de dissolver grupos de "camisas vermelhas" que se insurgiam no centro velho da capital, enquanto, na zona nova de Bangcoc, dezenas de milhares de pessoas saíam às ruas com pistolas de água para começar a celebrar as festividades do Ano Novo tailandês.

Os violentos confrontos travados ontem em diversos pontos da cidade causaram dois mortos e 123 feridos, dos quais 50 permaneciam internados em nove hospitais de Bangcoc, informou o Ministério da Saúde.

As tropas, apoiadas por veículos blindados e alguns carros de combate, saíram às ruas de Bangcoc no domingo, no dia seguinte ao que os protestos obrigaram Vejjajiva a cancelar a cúpula de líderes asiáticos em Pattaya, cerca de 180 quilômetros ao leste da capital.

A Tailândia está há dois anos e meio mergulhada em uma profunda crise política motivada pela disputa entre os simpatizantes e detratores de Shinawatra, deposto pelos militares em um golpe de Estado cometido em setembro de 2006. EFE grc/jp

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