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Ex-enviado da França à Colômbia diz que Ingrid Betancourt foi ingrata

PARIS - O diplomata francês Noel Saez, enviado pelo governo de seu país à Colômbia para mediar um acordo humanitário com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que participou da libertação de Ingrid Betancourt, chamou a ex-refém de ingrata.

Redação com agências internacionais |


O autor do livro "L'émissaire" (O emissário), lançado nesta quinta-feira na França, concedeu uma entrevista para apresentar sua obra na qual narra sua experiência como diplomata. Durante a coletiva, o francês lembrou que, depois de ser libertada, Betancourt nunca lhe dirigiu "nem ao menos um sinal, um encontro, um telefonema, nada".    

Saez, que entre 2001 e 2005 se encontrou 20 vezes com "Raúl Reyes", morto pelo Exército colombiano no ano passado, reiterou que o enviado da Suíça à Colômbia, Jean-Pierre Gontard, também foi esquecido pela ex-senadora.    

"Eu arrisquei a vida por ela. Ela girou o mundo, agradeceu aos grandes da Terra, ao Papa, ao presidente e aos outros, esquecendo alguns: os menores, os que se expuseram mais, aqueles que se arriscaram mais", disse ele.    

O emissário revelou, porém, que durante um encontro com a ex-senadora no México, em janeiro, Betancourt reconheceu seu erro e agradeceu tanto a ele como a Gontard. Saez afirmou que a ex-refém talvez estivesse "envolvida pelo turbilhão midiático" gerado por sua libertação.    

Estas não foram as primeiras críticas feitas à ex-senadora, que quando foi capturada pelas Farc, em 2002, era candidata à presidência da Colômbia. No mês passado, três norte-americanos que foram seus companheiros de cativeiro lançaram um livro em que também lançam ataques a ela.    

Keith Stansell, o mais crítico deles, define Betancourt como uma pessoa "arrogante e autocentrada, que roubava a comida dos outros reféns".   

'Operação Xeque'

Em entrevista a uma rádio suíça, Noel Saez falou também sobre a "Operação Xeque", realizada em julho do ano passado pelo Exército da Colômbia e que culminou no resgate de Betancourt e de outras 14 pessoas, incluindo os três norte-americanos.    

Saez contestou a versão oficial de Bogotá sobre a ação, segundo a qual oficiais se disfarçaram de agentes humanitários e enganaram membros das Farc, conseguindo resgatar os sequestrados. O emissário afirma que o guerrilheiro Gerardo Aguilar Ramírez, conhecido como "comandante César", foi comprado pelo Exército colombiano e foi seu jogo duplo que permitiu o sucesso da operação dos militares, que teve assim "a cumplicidade do carcereiro" para resgatar os reféns.

"Como pensar que as Farc permitiram a aproximação de um helicóptero com supostos agentes humanitários a bordo, que [permitiram que] o aparelho pousasse em um campo de coca e que, por acaso, fizeram subir os reféns mais importantes para levá-los a um acampamento mais seguro? Uma pessoa não pode acreditar em algo assim", argumentou.

(Com informações da EFE e da ANSA)


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