Ex-editor de tabloide é preso por escândalo de grampos

Clive Goodman, que era responsável pela cobertura de temas relacionados à Família Real britânica, já havia sido condenado em 2007

iG São Paulo |

Em meio ao escândalo sobre suspeita de grampos telefônicos feitas pelo jornal britânico News of the World, o jornalista Clive Goldman, ex-editor de assuntos relacionados à Família Real britânica, foi preso nesta sexta-feira.

Suspeito de corrupção, Goodman foi detido depois que Andy Coulson , ex-editor do jornal e ex-porta-voz do premiê David Cameron, ter sido detido nesta sexta-feira em Londres, acusado de autorizar as escutas ilegais. Goodman já havia sido condenado em 2007 por conta de escutas telefônicas ilegais do jornal.

AFP
Clive Goodman trabalhou como setorista da Família Real britânica no jornal News of the World (foto de arquivo)
Em janeiro passado, Coulson, 43 anos, renunciou ao cargo de assessor de Cameron ao se ver envolvido em um escândalo, apesar de ter reiterado que não sabia da prática de grampear celulares quando era editor da publicação. Na quinta-feira, o jornal The Guardian havia antecipado que Coulson seria detido. Ele será interrogado por ser suspeito de avalizar as escutas telefônicas realizadas por repórteres do jornal e por detetives a serviço do News of The World.

Coulson editou o News of The World entre 2003 e 2007 e renunciou ao comando da publicação em 2007, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica.

A prisão de Coulson acontece um dia após o anúncio de que o tabloide dominical publicado há 168 anos terá sua última edição impressa no domingo . A decisão do grupo News Corporation (News Corp), que controla o jornal, em fechar as portas da publicação foi uma reação direta ao escândalo de escutas telefônicas.

Novas regras

Nesta sexta-feira, Cameron prometeu novas regras para a imprensa britânica, ao falar de uma investigação judicial e outra sobre ética jornalística, paralelamente à operação policial realizada pela Scotland Yard sobre o escândalo.

O líder conservador disse que, além de acompanhar a investigação policial sobre os grampos, criará também uma comissão independente para preparar novas regras para a imprensa. "Esse escândalo não tem a ver só com alguns jornalistas em um jornal", disse. "Não tem a ver tampouco só com a imprensa. Tem a ver também com a polícia. E, sim, tem a ver também com os políticos e com a forma como a política funciona."

O premiê defendeu sua decisão de contratar Coulson como diretor de comunicação e disse que assumia a responsabilidade.

O escândalo estourou em 2006 e terminou com a prisão de Clive e do detetive Glen Mulcaire, por terem violado as caixas de mensagens de telefones celulares de personalidades da vida pública britânica, incluindo membros da realeza.

Conglomerado

O News of the World vende semanalmente cerca de 2,8 milhões de exemplares e é o campeão de vendas aos domingos no país. Em comunicado, o diretor do grupo, James Murdoch, afirmou que "o lado bom do News of the World foi ofuscado por um comportamento errado e, se as recentes alegações forem verdadeiras, (foi um comportamento) desumano, que não tem espaço na nossa empresa".

O News Corp. é um dos maiores conglomerados mundiais de mídia e pertence ao magnata de origem australiana. Os negócios do grupo envolvem TV, cinema, jornais e publicidade. Na Grã-Bretanha, o grupo é dono ainda dos jornais The Sun e The Times. Nos Estados Unidos eles possuem o diário Wall Street Journal e a rede de TV Fox.

O atual escândalo ganhou grande repercussão na Grã-Bretanha nessa semana após a revelação de que o jornal grampeou o celular de Milly Dowler , uma garota de 13 anos que desapareceu em 2002 e foi encontrada morta depois. Durante as escutas, mensagens deixadas na caixa de recados do telefone foram apagadas, prejudicando as investigações.

Depois, veio a público a notícia de que o jornal também grampeou celulares de parentes das vítimas dos atentados de 2005 e até de soldados britânicos mortos no Iraque e no Afeganistão . As revelações feitas pelo jornal The Daily Telegraph de que a polícia encontrou celulares de familiares dos soldados mortos nos arquivos do detetive particular do News of the World, Glenn Mulcaire, causaram revolta entre familiares dos militares.

Murdoch

Além de controlar alguns dos principais jornais do país, Rupert Murdoch também negocia a compra da subsidiária britânica da operadora de TV a cabo Sky. O escândalo pode agora afetar os planos de Murdoch.

Nesta semana, diversos anunciantes, entre eles a automotiva Ford e a companhia aérea easyJet, anunciaram que deixariam de anunciar no News of The World até serem concluídas as investigações sobre o caso. O caso derrubou as ações da News Corporation, que caíram mais de 3% nas bolsas da Austrália e dos Estados Unidos.

*Com EFE

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