María Peña. Washington, 18 nov (EFE) - Os principais executivos da General Motors (GM), Ford e Chrysler pediram hoje no Senado dos Estados Unidos US$ 25 bilhões que a indústria automotiva sobreviva e evitar uma catástrofe nacional, mas encontraram pouca acolhida e muitas críticas sobre o fracassado modelo de negócios. O colapso da indústria seria catastrófico, disse o presidente da GM, Richard Wagoner, durante uma audiência do Comitê dos Bancos do Senado. Wagoner advertiu da possível perda de três milhões de empregos, queda da renda pessoal e uma redução em arrecadação de US$ 150 bilhões ao Governo em conceito de impostos. O valor que o setor pede ao Congresso é pequeno frente a essas perdas, segundo o dirigente da GM, após garantir que não se trata apenas de salvar Detroit, mas também toda a economia americana. Esse mesmo cenário apocalíptico foi delineado por Alan Mulally, presidente da Ford, e Robert Nardelli, da Chrysler. Para Nardelli, o colapso teria repercussões debilitadoras para a base industrial do país. Em troca da ajuda, as três empresas se comprometem a adotar uma plena transparência financeira e que o Governo tenha uma maior participação no setor.

A audiência ocorre em um momento em que a crise financeira global e o congelamento do crédito provocaram uma maior cautela dos consumidores.

No entanto, a Casa Branca e seus aliados republicanos no Congresso se opõem a que a ajuda saia do plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões aprovado em outubro, porque já existe um projeto de empréstimos do Departamento de Energia que poderia amenizar o problema.

Ford, GM e Chrysler encontraram um aliado no Sindicato de Trabalhadores da Indústria Automotiva (UAW, em inglês), cujos membros seriam afetados por possíveis demissões.

"Sem dúvida, a situação é grave, é uma crise", sentenciou Ron Gettelfinger, presidente da UAW, na audiência.

Porém, durante mais de uma hora de declarações, vários democratas e republicanos manifestaram dúvidas sobre o socorro e exigiram que os fabricantes elaborem um modelo de negócios para sua viabilidade a longo prazo.

O presidente do Comitê, o democrata Christopher Dodd, afirmou que se a ajuda fosse aprovada, seria para evitar uma maior desestabilização da economia, e, sobre isso, destacou: "A indústria procura tratamentos para feridas que, acho, são auto-infligidas até certo ponto".

Republicanos como Richard Shelby e Larry Craig consideram que o Governo deveria primeiro determinar as condições verdadeiras do setor antes de liberar dinheiro, e exigir mudanças na indústria.

Sem contar com os votos, os democratas prevêem submeter à votação, na própria quinta-feira, uma extensão de seguro-desemprego e auxílios para Detroit. A Câmara de Representantes atuaria depois do Senado.

Para os executivos de Detroit, o tempo pressiona e sua idéia de ir ao Congresso é evitar um efeito dominó entre as empresas que dependem deste pilar da economia.

Cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos são atribuídos a esse setor, que, além disso, forma 10% do valor da produção industrial e emprega um em cada dez trabalhadores neste país.

Segundo fontes do setor, o colapso de duas das três fabricantes significaria a perda de 2,5 milhões de empregos, incluindo 240 mil trabalhadores das linhas de montagem, 800 mil do setor de fornecedores e outros 1,4 milhão que dependem da indústria.

As duas câmaras do Congresso estão imersas em uma curta sessão pós-eleitoral, conhecida em inglês como "lame duck", focalizada na crise econômica.

Se o "plano B" não for impulsionado agora, a hierarquia democrata teria que esperar até a 111ª sessão legislativa, em janeiro, quando retornar com uma expressiva maioria.

Para então, não teria a ameaça de um veto presidencial, já que Barack Obama quer ajudar o setor e defende a adoção de um segundo plano de estímulo econômico.

Enquanto isso, seguem as disputas entre a Casa Branca e os democratas do Congresso em torno de como ajudar Detroit.

No Comitê de Serviços Financeiros da Câmara Baixa, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, rejeitou a idéia de usar o plano de resgate de Wall Street como uma "panacéia para todas as nossas dificuldades econômicas".

Os executivos de Detroit retomarão sua campanha de persuasão amanhã durante uma audiência nesse mesmo comitê. EFE mp/db

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