Executivo de banco suíço ligado ao WikiLeaks vai a julgamento

Rudolf Elmer foi um dos primeiros a usar o site de vazamento para publicar documentos bancários particulares

Reuters |

Rudolf Elmer, ex-executivo de um banco, admitiu nesta quarta-feira, no início de seu julgamento na Suíça, que enviou dados particulares de um cliente a autoridades tributárias, mas negou ter cometido chantagem e ameaças de bomba contra o banco Julius Baer.

AP
O banqueiro suíço Rudolf Elmer, que supostamente roubou dados de clientes depois de sua demissão do Julius Baer, é visto ao chegar a corte na Suíça
Elmer, 55 anos, foi um dos primeiros a usar o WikiLeaks para publicar documentos bancários particulares, supostamente violando as leis suíças sobre o sigilo financeiro. Ele disse que colocou as informações no site por causa da recusa das autoridades suíças em coibir irregularidades. Na segunda-feira, ele entregou pessoalmente ao fundador do WikiLeaks , Julian Assange, dois CDs com dados sobre as contas de cerca de 2 mil clientes do banco suíço Julius Baer.

"A ética da liderança empresarial nos dois lados do Atlântico me desapontou", disse ele, acrescentando que desejava expor atividades ilegais de bancos "offshore" nas ilhas Cayman.

Elmer disse que o Baer, para quem trabalhava, moveu uma campanha de "terror psicológico" contra ele e sua família, oferecendo-lhe 500 mil francos suíços por seu silêncio. Ele disse que nunca aceitou pagamentos em troca dos dados secretos.

Admitiu, no entanto, ter escrito emails anônimos em 2005, ameaçando enviar detalhes sobre clientes bancários às autoridades e à imprensa se o Baer não deixasse de cometer certas ações - não especificadas - contra seus funcionários.

"A situação era muito ameaçadora. Estávamos muito assustados e achei que o banco estava por trás disso. Por isso enviei os emails."

Ele admitiu também que enviou detalhes sobre casos de evasão fiscal às autoridades suíças, mas negou que tenha feito uma ameaça de bomba contra a sede do Baer em Zurique, ameaçado um empregado dele ou tentado chantagear o banco.

A promotora Alexandra Bergmann disse que Elmer rejeitou as acusações para não contradizer a estratégia da defesa de que ele teria agido de forma altruísta, pelo interesse público.

Ganden Tethong Blattner, advogado de Baer, disse que seu cliente e sua família pagaram um preço por se opor a um oponente poderoso. "Essa é a história de um homem que descobriu malfeitos e esteve sob constante vigilância por mais de um ano. Essa grande pressão se destinava a silenciá-lo."

O banco Julius Baer diz que Elmer moveu "uma campanha de intimidação pessoal de vendetta" por causa da recusa da instituição financeira em pagar-lhe compensações financeiras após sua demissão, em 2002.

A promotoria quer pena de oito meses de prisão e multa de 2 mil francos suíços para Elmer, que era gerente da filial do banco nas ilhas Cayman até ser demitido.

O veredicto está previsto para quarta-feira. Esse processo não diz respeito à divulgação de dados no WikiLeaks, e sim a acusações anteriores de violação do sigilo bancário e corporativo e às ameaças contra o banco.

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