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Lima, 29 abr (EFE).- O ex-ditador peruano Francisco Morales Bermúdez desconhece até o momento as acusações feitas em dezembro do passado em Roma pelo desaparecimento de 25 italianos nos anos 70 e 80 no marco da Operação Condor, afirmou hoje seu advogado de defesa, Luis Vargas Valdivia.

"Não tivemos acesso às acusações. Tentamos por todos os meios ter algum um tipo de comunicação (...) com a Justiça italiana.

Infelizmente, não nos informaram quais eram os fatos sobre a acusação do ex-presidente", assinalou o advogado à emissora local "CPN".

No fim de dezembro do ano passado, a Justiça italiana emitiu 140 ordens de detenção de ditadores, ministros e chefes dos serviços secretos e da Polícia de Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru e Paraguai.

A Justiça italiana requer a detenção e extradição de Morales Bermúdez (1975-80) e de seu ex-primeiro-ministro Pedro Richter Prada.

Além disso, as autoridades desse país acusaram o chefe do Serviço de Inteligência do Exército peruano (SIE) em 1980, Martín Martínez Garay, e o então general-de-divisão Germán Ruiz Figueroa, publicou hoje o diário "El Comercio".

Um porta-voz do Poder Judiciário do Peru explicou hoje à Agência Efe que a solicitação não cumpre os requisitos do tratado de extradição entre Lima e Roma, já que a Procuradoria da Itália não forneceu detalhes das acusações nem explicitou as penas.

Também indicou que a eventual extradição deverá ser aprovada pela Corte Suprema do Peru, e a última palavra será do presidente peruano, Alan García.

No início de 1980, quando Morales Bermúdez ainda governava, as forças de segurança de Peru e Argentina supostamente seqüestraram em Lima os ítalo-argentinos Noemí Esther Gianotti de Molfino, María Inés Raverta, Julio César Ramírez e Federico Frias, cujo desaparecimento faz parte das investigações em Roma. EFE wat/mh

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