Ex-ditador Jorge Videla enfrenta novo e histórico julgamento na Argentina

Organismos humanitários consideram o julgamento, que começou nesta 6ªfeira, o mais importante desde o das juntas militares em 1985

EFE |

Um tribunal da Argentina começou nesta sexta-feira a julgar o ex-ditador Jorge Videla pelo assassinato de 31 presos políticos em 1976, em processo considerado por organismos humanitários como o mais importante depois do histórico julgamento das juntas militares, em 1985.

No banco dos réus, sentam-se Videla, o primeiro dos quatro presidentes da última ditadura (1976-1983), e outros 24 acusados, entre eles o general Luciano Benjamín Menéndez. Todos eles deverão responder perante um tribunal de Córdoba pelos crimes de "homicídio qualificado" e "aplicação de torturas".

Os crimes ocorreram entre abril e outubro de 1976, quando a ditadura fuzilou 31 presos com o falso argumento de que tinham tentado fugir da unidade penitenciária de San Martín. Durante a sessão da manhã da primeira jornada do processo, o ex-ditador fez o uso da palavra, apesar de o julgamento se encontrar em uma instância na qual os acusados não podem se pronunciar.

Além disso, o tribunal pediu a familiares dos acusados que retirassem uma bandeira argentina que tinham colocado na sala e a parentes das vítimas que cobrissem as fotografias que exibiam em suas camisetas para evitar "atritos".

"Estamos perante um julgamento paradigmático sobre o que foi o terrorismo de Estado", afirmou o promotor Carlos Gonella antes de ingressar na primeira audiência, presenciada pelo secretário argentino de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde.

"No processo, ficará em evidência o consentimento que houve com esde plano de aniquilamento por parte de poderes da sociedade civil, que apoiaram e atuaram em consequência", destacou Gonella. Nesse sentido, considerou que nessa "cumplicidade" com a ditadura foram apontados "representantes da Igreja e dos poderes judicial, político e econômico".

O advogado Martín Fresneda qualificou de "histórico" o julgamento ao se referir a Videla "como um dos principais responsáveis pelo terrorismo de Estado na Argentina".

Videla, de 84 anos e doente de câncer de próstata, foi transferido na semana passada de uma prisão militar da Província de Buenos Aires a uma cela do penal de Bouwer, nos arredores da capital. Esse julgamento representa para o ditador seu retorno ao banco dos réus após 25 anos.

Em 1985, dois anos depois do restabelecimento da democracia, Videla foi condenado à reclusão perpétua no julgamento das juntas militares, mas em 1990 foi perdoado pelo então presidente do país, Carlos Menem. Imediatamente após seu retorno à prisão, em 1998, um juiz lhe concedeu a prisão domiciliar, que manteve durante uma década, até que foi transferido a uma prisão militar de Campo de Mayo, nas proximidades de Buenos Aires.

Em 2006, um juiz anulou seu indulto e em abril deste ano a Corte Suprema ratificou essa decisão. Videla também terá de enfrentar em agosto um julgamento na Província de Santiago del Estero, no norte do país, pelo assassinato de um estudante em 1976.

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