Ex-ditador da Guatemala será julgado por genocídio

Juíza ordena que Efrain Ríos Montt, que governou o país no período mais sangrento da guerra civil, cumpra prisão domiciliar

iG São Paulo |

O ex-diatdor da Guatemala Efrain Ríos Montt será julgado por acusações de genocídio e crimes contra a humanidade, uma das etapas dos processos relativos à brutal guerra civil do país (1960-1996). Vilarejos indígenas inteiros foram destruídos durante a guerra como parte dos esforços do governo em derrotar os rebeldes de esquerda.

Leia também:
- Deputado eleito é assassinado a tiros na Guatemala
- General Otto Pérez Molina vence eleições na Guatemala

Reuters
Ex-ditador da Guatemala Efrain Ríos Montt dá coletiva após ser ordenado à prisão domiciliar (26/1/2012)

Ríos Montt, 85 anos, que negou ter ordenado os massacres, se recusou a fazer comentários na corte, durante uma audiência preliminar. Mas uma juíza encontrou evidências suficientes que ligavam Montt, que governou durante um período particularmente sangrento entre 1982 e 1983, ao assassinato de mais de 1,7 mil indígenas e ordenou sua prisão domiciliar.

"Acredito que há evidências suficientes nessas acusações", afirmou a juíza Carol Flores, que concordou com os promotores que Ríos Montt, como chefe de governo, deve responder pelas brutalidades que ocorreram sob seu comando.

Promotores alegam que Ríos Montt, chefe do governo por 17 meses, foi negligente enquanto os soldados estupravam, torturavam e incendiavam com o objetivo de eliminar insurgentes de esquerda.

Advogados também acusam Ríos Montt de conceber um plano contrainsurgente que matou pelo menos 1.771 membros não-armados da tribo Ixil, que ele afirmou serem auxiliares de guerrilhas, e forçou outros 29 mil para o exílio.

Os advogados de defesa afirmam que o ex-ditador não controlava as operações nos campos de batalha durante o conflito interno entre 1960 e 1996, que deixou quase 250 mil mortos e desaparecidos e, portanto, consideram que ele não pode ser responsabilizado.

Mulheres da tribo Ixil, vestidas em roupas tradicionais de um vermelho vibrante, compareceram à audiência que terminou com a ordem de prisão domiciliar até a audiência preliminar em março.

Como deputado, Ríos Montt ficou protegido sob imunidade judicial por 12 anos. Porém, ela foi suspensa em 14 de janeiro de 2012, quando seu mandato terminou.

Ativistas de direitos humanos e parentes das vítimas da guerra civil da Guatemala se reuniram do lado de fora do tribunal antes da audiência, carregando cartazes nos quais lia-se: "Fora impunidade."

Eles comemoraram os resultados da audiência preliminar e disseram sentir-se encorajados pela sentença de agosto do ano passado contra quatro antigos soldados do massacre na vila de Dos Erres, em 1982.

Os quatro, os primeiros soldados a serem condenados por abusos dos direitos humanos, cumprirão uma pena de 30 anos por cada uma das 201 vítimas.

Estima-se que 200 mil habitantes foram mortos ou desapareceram durante o conflito no país.

Com Reuters

    Leia tudo sobre: guatemalamonttguerra civiljulgamentojustiçaimunidade

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG