Ex-ditador argentino tem prisão decretada pela Justiça alemã

Berlim, 22 jan (EFE).- A Justiça alemã emitiu hoje uma ordem internacional de prisão contra o ex-presidente da Argentina Jorge Rafael Videla, acusado da morte de um alemão que desapareceu durante a ditadura militar no país sul-americano.

EFE |

O caso, arquivado em 2007 devido à recusa de um tribunal de Buenos Aires em extraditar Videla, foi reaberto no fim do ano passado, após a descoberta da ossada de Thomas Stawowiok na Argentina.

Membro da União de Estudantes e ligado ao grupo guerrilheiro Montoneros, Stawowiok desapareceu em 21 de fevereiro de 1978, aos 20 anos, quando saía da fábrica em que trabalhava como químico.

Os familiares do desaparecido voltaram a ter pistas do alemão há um ano e meio, depois que o pai de Thomas, Desiderius, de 84 anos, foi contatado e viajou a Buenos Aires para verificar se um dos restos mortais achados em agosto de 2004 em uma vala comum era do filho.

Médicos-legistas da Argentina compararam uma amostra genética da ossada com o DNA de Desiderius. A confirmação de que os restos eram de Thomas levaram à primeira reabertura de uma investigação, fundamentada em indícios de tortura e de um possível homicídio.

No entanto, anos depois, a Justiça alemã arquivou o processo contra Videla, uma vez que o juiz de Buenos Aires Sergio Torres negou o pedido de extradição do ex-ditador, processado e condenado em seu país.

A primeira vez que Videla foi processado pela Justiça alemã foi nos anos 1990. Na época, a Promotoria acusou ele, o general Emilio Massera e outros golpistas de envolvimento nos desaparecimentos dos alemães Elizabeth Kassemann e Klaus Zieschank.

Em 2003, tanto Videla como Massera tiveram sua prisão decretada.

No ano seguinte, o Governo alemão pediu a extradição de Videla, baseando-se na morte de Elizabeth, estudante de teologia e filha do famoso pastor luterano Ernst Kasseman.

Elizabeth foi vista com vida pela última vez em março de 1977, quando foi sequestrada, torturada e executada na província de Buenos Aires.

Já Klaus foi detido por civis armados em San Martín, também na província de Buenos Aires, em março de 1976. Depois de ter sido levado para os centros de detenção, foi estrangulado e provavelmente teve o corpo jogado no mar.

A esses dois casos uniu-se, em 2004, o de Thomas, que a Promotoria teve de deixar de lado por causa da falta de um corpo.

Videla, de 84 anos, presidiu a Argentina entre 1976 e 1981, período em que desapareceram esses três alemães, que faziam parte da resistência.

Com vários processos pendentes por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura, o ex-ditador, em breve, será julgado por 30 homicídios, 552 sequestros e 264 casos de torturas.

Há mais de 20 anos, Videla foi condenado à prisão perpétua após o fim da ditadura. Porém, só cumpriu cinco anos de pena, já que foi indultado durante a Presidência de Carlos Menem (1989-1999).

Em 1998, ele voltou à prisão, desta vez pelo roubo de bebês durante o regime militar. Mas, 38 dias depois, ganhou direito à prisão domiciliar, revogada em 2008, quando Videla foi transferido para uma prisão dentro de uma instalação militar. EFE gc/sc

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