Ex-dirigente da guerrilha colombiana ELN renuncia à luta armada

BOGOTÁ (Reuters) - Um ex-comandante da segunda maior guerrilha da Colômbia renunciou na quinta-feira à luta armada e se comprometeu a trabalhar pela retomada dos contatos com o governo, para que tenha início uma negociação formal de paz. O anúncio de Francisco Galán, que durante anos foi um dos máximos dirigentes do Exército de Libertação Nacional (ELN), ocorre após um inédito encontro com o presidente Álvaro Uribe.

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'De maneira voluntária tomei a decisão de renunciar à guerra, não a minhas convicções, renunciei à guerra, acho que é o momento em que o país deve se comprometer a buscar a paz,' disse Galán a jornalistas.

O ex-dirigente passou mais de 14 anos preso e participou ativamente nos contatos de paz com o governo, que ocorrem em Cuba desde o final de 2005 e nos quais se busca uma forma de iniciar a negociação formal.

O barbudo ex-guerrilheiro foi libertado em janeiro de 2007, após cumprir três quintos da sua pena de mais de 29 anos.

Atualmente vive numa casa de campo perto de Medellín.

Galán disse que o processo preliminar de paz está paralisado desde que o governo exigiu que o ELN concentrasse suas forças e identificasse seus líderes para que ocorresse uma trégua bilateral.

'Manifestei [a Uribe] a dificuldade que houve com a exigência de concentração de forças e identificação de pessoas, como se havia chegado a outra etapa de diálogo entre o ELN e o governo,' afirmou.

O ELN surgiu em 1964, inspirado na Revolução Cubana, e segundo analistas está atualmente dizimado por causa da ofensiva do Exército e dos paramilitares de ultradireita. Os dirigentes da guerrilha negam que o grupo esteja enfraquecido.

Enquanto mantém contatos com o ELN, o governo de Uribe não conseguiu estabelecer uma aproximação com a maior guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Um outro processo de negociação, com paramilitares de direita, levou à desmobilização de mais de 31 mil integrantes desses grupos, criados por latifundiários na década de 1980 para combater as guerrilhas.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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