Ex-diretor de Fundação de Mandela é absolvido no caso 'diamantes de sangue'

Justiça fala em falta de provas contra Jeremy Ractliffe, no caso em que o ex-presidente da Líberia Charles Taylor é acusado de crimes de guerra

iG São Paulo |

O ex-diretor da Fundação Nelson Mandela Jeremy Ractliffe foi absolvido nesta quarta-feira pela Justiça sul-africana no caso em que o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor é acusado de crimes de guerra ao financiar a Frente Unida Revolucionária (RUF, na sigla em inglês) durante a guerra civil de Serra Leoa em troca de diamantes brutos.

O ex-diretor do Fundo de Ajuda para a Infância de Nelson Mandela, indiciado por infração da lei de posse de diamantes, se declarou inocente, afirmando ignorar que as três pedras brutas entregues a Naomi Campbell eram diamantes. A Justiça disse não haver provas suficientes e declarou que o caso seria arquivado. Se tivesse sido considerado culpado, Ractliffe poderia ser sentenciado a 10 anos de prisão e a uma multa de US$ 37 mil.

AFP
Jeremy Ractliffe a caminho do tribunal em Joanesburgo, na África do Sul
Em depoimento em agosto do ano passado, Naomi Campbell confirmou ter recebido, possivelmente de Charles Taylor, uma bolsa com pequenos diamantes após um jantar na casa do então presidente sul-africano Nelson Mandela, em 1997.

Poucos dias depois do testemunho da modelo britânica, ante o tribunal especial que julgava Taylor, Ractliffe se demtiu do Fundo Mandela e entregou as pedras à polícia, admitido tê-las guardado desde então "em nome de Naomi Campbell".

Guerra civil

Taylor foi julgado pelas atrocidades cometidas durante a guerra civil de Serra Leoa (1991-2001), que deixou um saldo de 120 mil mortos. Seu julgamento terminou depois de três anos. A sentença deve der ditada ainda neste ano.

Os rebeldes da RUF eram notórios por cortar mãos e pernas de civis durante o conflito que durou entre 1991 e 2001. Taylor nega as acusações - que também incluem assassinato, estupro e o uso de crianças como soldados - e afirma não ter nada a ver com os diamantes.

As alegações vieram à tona no ano passado, quando a atriz Mia Farrow, que também estava presente no jantar com a modelo britânica, soube que Taylor estava sendo julgado por crimes de guerra. Ela escreveu ao tribunal afirmando que Campbell teria contado ter recebido os diamantes brutos.

Jantar

As duas participaram do jantar, entre outras celebridades, oferecido depois da viagem inaugural do Blue Train, uma espécie de Expresso do Oriente sul-africano, que estava sendo promovido por Mandela. Os convidados permaneceram hospedados na casa do então presidente por alguns dias e, antes e durante o jantar, Taylor foi visto conversando com a modelo.

A ex-agente de Naomi Campbell, Carole White, contou ao tribunal ter ouvido o então presidente da Libéria dizer à modelo que gostaria de dar-lhe diamantes de presente. Em uma declaração por escrito, White disse que, durante a noite, dois ou três assessores de Taylor acordaram a modelo em seu quarto e lhe entregaram os diamantes.

White afirma ter visto as pedras serem entregues. No dia seguinte, pela manhã, a modelo teria relatado o episódio a Mia Farrow. Segundo a ex-agente, Naomi ficou com as pedras por apenas um dia, antes de doá-las para a Fundação Mandela para crianças. Mia Farrow também contou que a modelo disse que iria doar as pedras, mas, segundo o jornal britânico Daily Mail, a Fundação Mandela nega ter recebido a doação.

*Com AFP e BBC

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