Ex-detento de Guantánamo acusa inteligência britânica

Um residente da Grã-Bretanha que ficou detido na prisão americana de Guantánamo divulgou neste sábado supostos memorandos do MI5, o serviço de inteligência britânico, que, segundo ele, mostram colaboração do governo com seu interrogatório. Ninyam Mohamed, nascido na Etiópia, disse ao jornal Mail on Sunday que os memorandos foram enviados à CIA, a agência de inteligência americana, em novembro de 2002, quando ele estava sendo torturado no Marrocos. Segundo ele, a cooperação britânica está sendo investigada pelo governo.

BBC Brasil |

Ele disse que agentes do MI5 passaram perguntas específicas para os guardas americanos que o levaram a confessar falsamente participação em atividades terroristas.

Segundo Mohamed, no primeiro memorando, o autor sugere que ele seja interrogado sobre um nome específico. O segundo documento pediria um cronograma para a realização de perguntas ao detento. O partido Conservador, de oposição, pediu uma investigação policial sobre a suposta colaboração do MI5.

Mohamed disse também ao jornal que a pior parte de sua detenção foi em uma "prisão escura" em Cabul, no Afeganistão, onde ele diz ter sido acorrentado e forçado a ouvir música constantemente e de pé.

"Havia alto-falantes na cela, tocando o que parecia ser 160 watts, um volume ensurdecedor, sem parar, 24 horas por dia. Eles tocaram o mesmo CD por um mês, The Eminem Show", disse. "O banheiro na cela era um balde. Sem luz, ou você encontra o balde, ou faz na cama", afirmou Mohamed ao Mail on Sunday.

"O período mais longo foi quando me acorrentaram por oito dias, em uma posição que me impedia de ficar de pé reto ou sentar. Eu não podia dormir. Eu não tinha idéia se era dia ou noite", disse.

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores britânico disse que "nós abominamos a tortura e nunca encomendamos ou apoiamos (a prática)".

"Nós levamos alegações de maus-tratos seriamente e as investigamos quando são feitas", afirmou. "No caso de Binyam Mohamed, uma acusação de possível ação criminosa foi encaminhada à procuradora-geral. Nós precisamos agora esperar pelo relatório dela"


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