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Ex-criminoso de guerra atrapalha caminho da Sérvia rumo à UE

Snezana Stanojevic. Belgrado, 20 dez (EFE).- A captura do suposto criminoso de guerra Radovan Karadzic, em julho, foi um grande impulso para que a Sérvia se aproximasse da União Européia (UE), mas ainda fica pendente a detenção de Ratko Mladic para acelerar a adesão do país ao bloco europeu.

EFE |

As autoridades de Belgrado asseguram que a detenção e extradição de Karadzic "é a prova mais tangível" de que há vontade política para concluir a cooperação com o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), de Haia.

"Queremos desbloquear a parte comercial do Acordo (de Estabilização e Associação) com a UE e fazer de 2009 o ano da Europa na Sérvia, com reformas e integração acelerada na UE", disse recentemente o ministro de Exteriores sérvio, Vuk Jeremic, que pediu ajuda para que seu país possa atingir esses objetivos.

Karadzic, acusado desde 1995 de genocídio e outros crimes de guerra, foi detido nos arredores de Belgrado, onde vivia dedicado à medicina alternativa sob uma identidade falsa e com um aspecto irreconhecível, com cabelo comprido e uma espessa barba branca.

Há muitos anos não se falava desse ex-líder político servo-bósnio, que era considerado praticamente "desaparecido".

Ele foi encontrado pelo serviço secreto sérvio quando o órgão buscava pistas para localizar Mladic, ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia que pode estar escondido na Sérvia e cuja captura é a principal condição imposta a Belgrado para um futuro na UE.

O TPII acusou Mladic há 13 anos de genocídio em relação ao massacre de muçulmanos de Srebrenica em 1995, na época uma zona protegida pelos soldados holandeses da ONU, e de crimes contra civis durante os três anos e meio de ataque a Sarajevo (1992-1995).

Em abril, a Sérvia assinou com a UE o Acordo de Estabilização e Associação, considerado a ante-sala de ingresso no bloco, e esse ato foi concebido como um respaldo às forças "europeístas" no país.

No entanto, a Holanda persiste em sua recusa a suspender o bloqueio para que os países da UE possam aplicar a parte comercial desse acordo até que Mladic seja detido.

Até o momento, foram em vão as várias tentativas dos membros do bloco de convencer a Holanda a fazer um gesto de aproximação para com a Sérvia, após a detenção de Karadzic.

O objetivo da Sérvia é, em 2009, transformar-se em país candidato à adesão, e conseguir entrar na chamada "lista branca" da UE, para que os cidadãos sérvios possam viajar, sem vistos, a nações do bloco.

A Sérvia considera que não recebe o mesmo tratamento que outros Estados aspirantes a entrar no bloco e teme o estabelecimento de novas condições.

"Aparecem insinuações de que o reconhecimento sérvio da independência do Kosovo deveria ser condição para a candidatura à UE, e, por isso, chegou a hora de dizer basta às condições", afirmou Jeremic em novembro.

A orientação europeísta da Sérvia foi colocada à prova este ano, depois que o Kosovo proclamou, unilateralmente, em fevereiro, sua independência, e esta foi reconhecida pela maioria dos países do bloco, além dos Estados Unidos.

A cena política na Sérvia se desestabilizou e, em março, o Governo caiu devido às divergências sobre se o país deveria seguir ou não o caminho em direção à UE.

Em maio, a vitória das forças pró-européias nas eleições gerais colocou fim à incerteza de semanas sobre se a nação se manteria no caminho da UE.

Antes, em janeiro, o europeísta Boris Tadic havia vencido as eleições presidenciais, mas com pouca diferença de votos em relação ao ultranacionalista Tomislav Nikolic.

A Sérvia considera que sua autorização para o desdobramento, no Kosovo, da missão civil do bloco, a Eulex, segundo as condições negociadas com a ONU, é outra mostra de sua vontade europeísta.

Belgrado obteve uma vitória diplomática em outubro ao conseguir o apoio da ONU a sua iniciativa de que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) se pronuncie sobre a legalidade da proclamação da independência do Kosovo. EFE sn/db

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