Ex-coronel é condenado à prisão perpétua por genocídio em Ruanda

RUANDA - Um tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou à prisão perpétua nesta quinta-feira um ex-coronel acusado de planejar a morte de 800 mil pessoas em Ruanda em 1994.

Reuters |

O Tribunal Criminal Internacional para Ruanda, sediado na Tanzânia, considerou Theoneste Bagosora, de 67 anos, o responsável pelos soldados e pela milícia Interahamwe Hutu que assassinou 800 mil pessoas da minoria tutsi, além de hutus moderados, em apenas 100 dias.

"O coronel Bagosora é culpado de genocídio, crimes contra a humanidade e cries de guerra," disse o tribunal.


Bagosora é condenado a prisão perpétua / AP

Promotores disseram que Bagosora, na época diretor do gabinete do Ministério da Defesa, assumiu o controle de assuntos políticos e militares no país do centro da África depois que o presidente Juvenal Habyarimana foi morto com a derrubada de seu avião.

O general canadense Romeo Dallaire, chefe das forças de paz da ONU durante o genocídio, descreveu Bagosora como "cabeça" do genocídio e disse que o coronel ameaçou matá-lo com uma pistola.

"É muito bom que ele seja finalmente condenado. Isso deve levar uma forte mensagem a todos aqueles que querem repetir esses atos. Eles devem saber que nunca poderão escapar da Justiça", disse Robert Munyeneza, de 25 anos, que sobreviveu ao genocídio.

"Apocalipse"

No indiciamento, o tribunal afirmou que, antes das mortes, Bagosora abandonou as negociações de paz na Tanzânia dizendo que voltaria a Ruanda para "preparar o apocalipse".

Após o genocídio, Bagosora voou para o exílio em Camarões. Lá ele foi preso em 1996 e foi transferido para enfrentar o julgamento em 1997. O júri começou em 2002 e durou cinco anos até meados de 2007.

Bagosora enfrentava 11 acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele foi absolvido de uma das acusações, de que ele pensava em cometer o genocídio antes de abril de 1994.

"Esse veredicto manda uma forte mensagem aos tiranos de toda parte; que se eles cometerem os piores crimes, eles passarão o resto da vida na cadeia", disse Reed Brody, conselheiro do grupos de direitos humanos Human Rights Watch.

Bagosora foi condenado por participação nas mortes de 10 belgas da força de paz, e foi responsabilizado pelas mortes do primeiro-ministro de Ruanda e do presidente do tribunal constitucional.

Ele também foi culpado por assassinatos organizados em uma série de lugares na capital de Ruanda, Kigali, e em Gisenvi. Também na quinta-feira, a corte da ONU sentenciou os ex-oficiais Anatole Nsengiyumva e Aloys Ntabakuze à prisão perpétua.

O cunhado do ex-presidente Habyarimana Protais Zigiranyirazo, conhecido como "Monsieur Z", foi condenado a 20 anos de prisão também pelos crimes de genocídio, extermínio e crime contra a humanidades.

Zigiranyirazo foi acusado de ser membro da Akazu, pequena mas poderosa elite formada por familiares Hutus que planejavam exterminar Tutsis.

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