Ex-combatentes maoístas deixam campos e iniciam integração social

Manesh Shrestha. Katmandu, 7 jan (EFE).- Após três anos em campos supervisados pela ONU, começou hoje a saída dos milhares de ex-combatentes, entre eles muitos adolescentes, que lutaram nas fileiras da guerrilha maoísta durante a guerra, atualmente o Nepal, com a esperança que sua integração na sociedade se torne realidade.

EFE |

Pelo menos 200 antigos combatentes abandonaram hoje o campo de Sindhuli, a 150 quilômetros ao sudeste da capital nepalesa, em cerimônia que marcou o início da saída dos ex-combatentes, disse à Agência Efe, o comandante guerrilheiro Nanda Kishore Pun.

O processo está sendo realizado sob o olhar de uma equipe da Missão da ONU no Nepal (Unmin), que também se encarregará de revisar a saída nos demais acampamentos durante os próximos 40 dias.

Nesse prazo, os 4.008 ex-guerrilheiros que ficaram de fora do processo de integração nas forças de segurança do país, após o fim da guerra em 2006, deverão abandonar os campos e iniciar a reinserção social.

Em dezembro de 2007, a Unmin, encarregada de supervisionar o processo de paz, confirmou a integração nas forças do país de quase 20 mil antigos guerrilheiros, enquanto 4.008 ficaram de fora por serem menores de idade ou terem sido recrutados com posterioridade ao cessar-fogo.

"Aqueles que abandonaram hoje o campo de Sindhuli já não são membros do Exército de Libertação Popular (guerrilha maoísta)", disse Pun.

Em uma conversa telefônica a partir de Sindhuli, o comandante disse que na apuração realizada pela ONU em dezembro de 2007 foi calculado em 372 o número de combatentes que deviam abandonar o campo, embora hoje só 207 ex-guerrilheiros deixaram o local.

Segundo a imprensa local, não se sabe com exatidão quantos guerrilheiros, dos mais de 4 mil registrados pela ONU, permanecem ainda nos campos, já que alguns deles poderiam ter abandonado antes do início oficial do processo.

Na opinião de Pun, entre os combatentes que deixaram hoje Sindhuli havia um sentimento que misturava alegria e tristeza.

"Aqueles que saíram hoje estavam felizes", disse Pun quem esclareceu que é um sentimento "natural" experimentar tristeza na despedida após terem "lutado juntos durante tanto tempo".

O Governo do Nepal e a antiga guerrilha maoísta acordaram em meados de dezembro de 2009 a saída dos ex-combatentes dos campos, após o qual começará um programa de reabilitação e supervisão com o objetivo que não se envolvam em atividades militares.

Como parte do programa, a Unmin ofereceu cursos para ensinar ofícios e educação e até o ensino médio, embora Pun, se mostrou cauteloso e afirmou que as ajudas aos ex-guerrilheiros ainda estão sendo discutidas.

"Hoje é o primeiro passo no retorno à vida civil de milhares de nepaleses que estiveram vivendo desde 2006. Esta cerimônia é um marco importante no processo de paz em andamento e acelerará os outros passos previstos no acordo de paz", disse o coordenador de Assuntos Humanitários da ONU em Nepal, Robert Piper.

Nos próximos meses, a ONU contatará os ex-combatentes que saíram dos campos para revisar seu processo de integração.

Segundo a ONU, na atualidade há 500 guerrilheiros menores de 18 anos vivendo em acampamentos.

Em novembro de 2006, o Nepal pôs fim a dez anos de guerra com a assinatura de um acordo no qual o Governo e a guerrilha pactuaram a proclamação da República no país e a redação de uma Constituição para antes de maio.

Um dos pontos estipulados ainda pendentes e que constitui o maior desafio para o êxito do processo de paz é a integração dos ex-combatentes da guerrilha maoísta nas forças de segurança do país.

EFE ms-dm

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