Por Brian Rhoads e Doug Young TAIPÉ (Reuters) - O presidente eleito de Taiwan, Ma Ying-jeou, disse na terça-feira esperar mudar o papel de seu país na comunidade internacional, dentro da qual a ilha deixaria de ser um criador de problemas para tornar-se um pacificador.

A declaração foi dada em uma entrevista na qual o futuro dirigente falou também sobre uma série de políticas a serem adotadas para estimular o comércio e os investimentos com a rival China.

Ma, porém, nessa entrevista exclusiva concedida à Reuters, disse que os avanços rumo à retomada das relações com o governo chinês aconteceriam de forma lenta em vista do desgaste nos laços com a China e com os EUA, que enfrentam um momento crítico devido à 'imprudência diplomática' do atual presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, nos últimos oito anos.

O governo chinês acusou Chen de perseguir uma independência rastejante, adotando uma mudança política depois da outra, enquanto tentava fortalecer a identidade diplomática dessa ilha capitalista.

A China considera Taiwan parte de seu território soberano e ameaçou usar a força caso a ilha declare sua independência em caráter definitivo.

Taiwan é reconhecido por apenas 23 dos países mais pobres do mundo, pouco se comparado com os 170 que reconhecem a China, membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na terça-feira, Ma sinalizou com um novo caminho a ser seguido por Taiwan para diminuir os níveis de tensão em um dos mais importantes pontos de conflito potencial da Ásia.

'Desejamos ser um participante responsável da comunidade internacional, significando que seríamos antes um pacificador e não um criador de problemas', disse Ma, na primeira entrevista concedida a uma agência de notícias estrangeira desde sua vitória eleitoral.

A natureza frágil das relações bilaterais tornava improvável que Ma se reunisse com o presidente chinês, Hu Jintao, dentro em breve.

Os rancores são tão grandes que o futuro líder de Taiwan afirmou ser improvável haver um acordo entre os dois lados para que a tocha olímpica passe pela ilha capitalista em sua rota rumo aos Jogos de Pequim, em agosto.

Segundo Ma, as relações com a China, durante os oito anos de governo Chen, permaneceram estagnadas.

As relações com o governo norte-americano também pioraram.

O presidente dos EUA, George W. Bush, respondeu às iniciativas de Chen sobre realizar plebiscitos a respeito da independência e de outras questões polêmicas com um apelo para que os dois lados não alterassem o atual status quo.

Os EUA trocaram o reconhecimento diplomático de Taipé pelo de Pequim em 1979, aceitando apenas 'uma China'. Mas continuam a ser os maiores aliados de Taiwan e os maiores fornecedores de armas para esse país.

(Reportagem adicional de Lee Chyen Yee, Rachel Lee, Fanny Liu, Faith Hung e Sheena Lee)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.