Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - O Irã começou a instalar um tipo avançado de centrífuga em sua principal usina de enriquecimento de urânio, acelerando um programa que poderia dar-lhe a capacidade de fabricar bombas atômicas no futuro se optar por fazê-lo, afirmaram diplomatas na quinta-feira.

O governo iraniano diz que deseja produzir apenas combustível nuclear para gerar eletricidade de forma a conseguir exportar uma quantidade maior de petróleo.

Mas a Organização das Nações Unidas (ONU) já aprovou três conjuntos de sanções contra o país acusando de esconder suas atividades até 2003, de não conseguir provar aos inspetores desde então que seu programa é totalmente pacífico e de recusar-se a suspender o enriquecimento de urânio.

No ano passado, o Irã instalou, em sua instalação subterrânea de Natanz, 3.000 centrífugas, quantidade suficiente para a produção em escala industrial de urânio enriquecido.

Mas essas são centrífugas pouco confiáveis e feitas com base em um projeto da década de 70. Em vista disso, os iranianos começaram a testar uma versão mais avançada do equipamento em uma outra área de Natanz.

Após uma pausa de vários meses nos esforços de instalação realizados na principal usina de enriquecimento, o Irã colocou ali, agora, mais de 300 centrífugas, algumas delas do modelo antigo e outras do novo, afirmaram diplomatas ocidentais com acesso a dados secretos sobre o país.

'Não se sabe ainda quantas centrífugas novas há no novo lote', disse um deles à Reuters, observando, porém, que os iranianos pretendiam aparentemente usar 'ao máximo' os novos equipamentos para, gradualmente, deixar de utilizar o modelo anterior.

A centrífuga 'IR-2', que o Irã vem desenvolvimento, conseguiria enriquecer urânio a uma velocidade duas a três vezes maior do que a versão mais antiga do equipamento.

O embaixador iraniano junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou à Reuters não ter informações sobre qualquer novidade no bunker de Natanz, um local cercado por armas anti-aéreas devido a temores de que os EUA realizem um bombardeio ali.

A AIEA, que mantém inspetores em Natanz, não quis se manifestar a respeito.

Um diplomata familiarizado com a missão da agência no Irã não contestou as informações mais recentes, mas disse que ainda não se sabe ao certo se os iranianos tinham conseguido fazer funcionar adequadamente a versão mais moderna de suas centrífugas.

Esses equipamentos consistem em tubos que rodam a velocidades supersônicas para refinar urânio a níveis tais que o material possa ser utilizado em usinas atômicas ou em bombas.

Normalmente, as centrífugas funcionam em cascatas (redes de produção interligadas) formadas por 164 unidades cada uma.

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