EXCLUSIVO-Cuba aceita diálogo com União Européia, diz carta

HAVANA (Reuters) - O governo cubano aceitou, com condições, retomar as conversas políticas com a União Européia (UE), segundo uma nota enviada por Cuba a Bruxelas em resposta a suspensão de sanções diplomáticas contra a ilha. A UE levantou em 19 de junho as sanções que havia imposto em 2003, depois da prisão de 75 dissidentes, e convidou o governo de Cuba a estabelecer um diálogo político global.

Reuters |

'O Ministério das Relações Exteriores comunica que aceita a proposta de estabelecer o referido diálogo, uma vez que se estabeleçam de comum acordo os fundamentos e as bases sobre as quais o mesmo deverá se desenvolver', disse a chancelaria cubana em uma nota entregue nos primeiros dias de setembro à Embaixada da França em Havana.

O governo francês possui a presidência rotativa da UE no momento.

A eliminação das sanções e a aceitação do diálogo abrem caminho para uma futura normalização das relações entre Cuba e UE, que estiveram perto de serem quebradas.

Cuba considerava que as sanções, que estavam suspensas desde 2005, eram inaceitáveis.

'O acordo alcançado para a eliminação definitiva das sanções constitui uma retificação necessária', acrescentou a nota cubana.

As sanções foram suspensas por iniciativa da Espanha e depois de árduas negociações com outros membros do bloco, como Alemanha, Suécia, e República Tcheca.

Ao anunciar a decisão, que será revisada no próximo ano, a UE disse que esperava ver melhoras em matéria de direitos humanos e liberações de presos políticos em Cuba.

Cuba respondeu que a UE faz 'juízos de valor' que não lhe competem.

'O Ministério considera inaceitáveis e rejeita energicamente os contínuos questionamentos que a UE expressa sobre o sistema político, econômico e social cubano, para o qual não lhe reconhece autoridade alguma', disse a nota.

(Reportagem de Esteban Israel)

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