Ex-chefes da CIA pedem a Obama fim de investigação de abusos

Por Jeremy Pelofsky WASHINGTON (Reuters) - Sete ex-chefes da Agência Central de Inteligência (CIA) pediram nesta sexta-feira ao presidente dos EUA, Barack Obama, que encerre a investigação sobre abuso de prisioneiros mantidos pela agência, argumentando que isso iria prejudicar as operações do serviço de inteligência.

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O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, nomeou no mês passado um promotor para examinar se acusações criminais deveriam ser apresentadas contra interrogadores da CIA ou empresas contratadas por terem ido além dos métodos de interrogatório aprovados, incluindo o uso de furadeira elétrica e ameaças de morte para amedrontar prisioneiros.

Os ex-chefes da CIA argumentaram que os casos já haviam sido investigados durante o governo Bush e os promotores só decidiram processar um empreiteiro.

"Essa atitude irá afetar seriamente a disposição dos funcionários do setor de inteligência de assumir riscos para proteger o país", disseram eles na carta. "Na nossa avaliação, assumir tais riscos é vital para o sucesso na longa e difícil luta contra terroristas que continuam a nos ameaçar."

A carta enviada a Obama foi assinada por três ex-diretores da CIA durante a presidência de George W. Bush --Michael Hayden, Porter Goss e George Tenet-- e também por John Deutch, James Woolsey, William Webster e James Schlesinger, da época do governo Richard Nixon.

Obama vem dizendo que quer olhar além do governo Bush, que grupos de defesa dos direitos civis acusam de ter usado a tortura para extrair informações de militantes suspeitos, violando leis dos EUA e a legislação internacional.

Mas Obama também diz que a questão está nas mãos de Holder, que decidiu no fim de agosto reabrir os casos porque "está claro para mim que esta revisão é o único curso de ação que devo seguir."

A Casa Branca não quis fazer comentários.

Autoridades do governo Bush, incluindo o ex-vice-presidente Dick Cheney, têm defendido repetidamente suas ações e sustentado que os interrogatórios resultaram em informações valiosas.

Os ex-chefes da CIA alertaram que a decisão de Holder "cria uma atmosfera de perigo contínuo" para aqueles envolvidos e que a divulgação de mais detalhes sobre os métodos de interrogatório poderia ajudar os operativos da rede Al Qaeda a driblarem os planos operacionais e esforços de inteligência dos EUA.

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