Ex-chefe-de-gabinete de Nixon, Alexander Haig morre aos 85

Alexander Haig, ex-general do Exército que se tornou chefe-de-gabinete da Casa Branca durante o escândalo de Watergate e secretário de Estado durante o governo Reagan, morreu neste sábado aos 85 anos.

Reuters |

Haig buscou a presidência dos EUA, mas sua proposta de candidatura pelo partido Republicano fracassou em 1988, numa campanha conhecida por áspera ridicularização de outros candidatos, inclusive o vice-presidente George Bush, que venceu as eleições.

Um porta-voz do Hospital Johns Hopkins em Baltimore disse que Haig morreu na manhã de sábado. Ele não deu maiores detalhes.

Simbolicamente, o mais próximo que Haig chegou à presidência foi quando ele declarou à mídia: "Estou no controle aqui", após a tentativa de assassinato de Ronald Reagan em 1981.

Críticos chamaram a declaração, que parecia afirmar incorretamente a linha sucessória presidencial, de pomposa e militarística e foi usada posteriormente contra ele durante sua campanha eleitoral.

O presidente Barack Obama, um democrata, elogiou Haig neste sábado como um "grande americano" que serviu os Estados Unidos com distinção. "O general Haig exemplificou nossa mais bela tradição guerreiro-diplomata dos que dedicam suas vidas ao serviço público", disse Obama em comunicado.

"Nossos pensamentos e orações estão com sua família", acrescentou.

Haig conquistou seu lugar na história norte-americana ao manter a presidência unida em 1974 durante os meses que antecederam a renúncia de Richard Nixon no escândalo de Watergate.

Dizendo aos amigos que "quando seu presidente pede, você faz", ele renunciou relutantemente ao posto de vice-chefe do Estado-Maior do Exército em maio de 1973 para assumir o mais alto cargo de chefe de gabinete na Casa Branca, no momento em que o governo Nixon estava aos poucos perdendo o controle.

Haig emergiu como um dos poucos funcionários respeitados e de mãos limpas diante do escândalo, e foi amplamente reconhecido por persuadir Nixon a evitar uma batalha feia e desagregadora sobre o impeachment, que levou à primeira renúncia de um presidente dos EUA.

Por muitos anos, o nome de Haig foi frequentemente mencionado como sendo o "Garganta Profunda", a lendária fonte do Washington Post que ajudou a derrubar Nixon. Em 2005, o ex-oficial do FBI Mark Felt, quebrou o silêncio e confirmou ser a misteriosa fonte.

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