Ex-chefe policial croata admite ter ordenado deportações na 2ª Guerra Mundial

Zagreb, 20 jun (EFE) - Milivoj Asner, acusado de crimes de guerra na Croácia, reconheceu que durante a Segunda Guerra Mundial ordenou deportações de judeus, sérvios e ciganos da cidade de Pozega, na qual atuou como chefe de Polícia do regime ustashi, colaborador dos nazistas.

EFE |

Em entrevista na quinta-feira ao canal de televisão croata "HTV", o suposto criminoso afirmou que as deportações afetaram só "aquelas pessoas que não reconheciam, que odiavam o Estado croata".

Asner indicou também que os deportados não eram levados a campos de concentração ou a outros centros de detenção, mas foram "expulsos para retornar a seus países de origem".

O ex-dirigente "ustashi", que mora em Klagenfurt, na Áustria, desde 2006, explicou que outro tipo de procedimento, como a detenção, "teria sido muito caro".

A solicitação de extradição de Asner por parte das autoridades croatas foi rejeitada pela Áustria, que alegou que o ex-chefe policial, de 95 anos, sofre de demência senil e que não estaria em condições de acompanhar o julgamento.

Asner disse durante a entrevista que sua consciência está tranqüila, que estaria disposto a depor perante juízes croatas e que está convencido de que seria absolvido em um julgamento imparcial.

Os jornalistas de "HTV" confirmaram que Asner mostrava sinais de demência, já que, por exemplo, de repente se esqueceu de que tinha aceitado a entrevista ou com quem falava.

No último dia 16, o jornal britânico "The Sun" publicou uma reportagem fotográfica na qual Asner e a esposa apareciam passeando e tomando uma bebida em uma cafeteria, onde festejaram com outros torcedores a vitória da Croácia frente à Polônia na Eurocopa de 2008.

Posteriormente, aquele que é considerado pelo Centro Simon Wiesenthal o quarto maior criminoso de guerra nazista, afirmou ao jornal inglês estar disposto a depor perante qualquer juiz.

Hoje mesmo, a Promotoria de Klagenfurt anunciou que solicitará ao juiz encarregado do processo de extradição um novo interrogatório ao suposto criminoso.

Além disso, o Ministério fiscal quer solicitar o depoimento dos peritos médicos que, nos dois últimos anos, determinaram em quatro ocasiões que Asner está fraco para ser processado devido a um quadro de demência.

Em entrevista à rádio pública austríaca "ORF", o responsável pela Promotoria, Gottfried Kranz, afirmou que "se os peritos dizem que (o acusado) é hábil para ser processado e interrogado, então não haveria mais obstáculos para continuar o processo de extradição".

Milhares de sérvios, judeus, ciganos e croatas antifascistas morreram durante a Segunda Guerra Mundial no campo de concentração de Jasenovac (Croácia) e em outros centros de detenção organizados pelo pró-nazista regime "ustashi" do Estado Independiente Croata.

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