Ex-chefe paramilitar admite apoio eleitoral a Uribe

Bogotá, 28 mai (EFE).- O ex-paramilitar colombiano Salvatore Mancuso, antigo chefe máximo das dissolvidas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), admitiu que os comandantes desta organização apoiaram a eleição do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, em 2002.

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"A grande maioria de nós apoiou Uribe porque recebemos instruções dos comandantes", afirmou Mancuso em uma entrevista à revista semanal "Cambio", cuja última edição foi publicada hoje.

"O discurso ideológico de Uribe parecia retirado do nosso, mas dentro da legalidade. O apoiamos imediatamente", explicou o antigo chefe das AUC.

"Perguntávamos às populações se tinham escutado Uribe e seus compromissos. Respondiam que sim, dizíamos que o apoiávamos e 'direcionamos' as população a votarem nele", acrescentou Mancuso.

No entanto, esclareceu que seria mentira se dissesse que "houve contatos diretos" com a campanha presidencial de Uribe, que após sua eleição em 2002 abriu o processo de paz com as AUC que terminou em meados de 2006 com o desarmamento de mais de 31 mil paramilitares.

Mancuso recebeu um enviado da "Cambio" em um presídio de Washington, para onde foi extraditado em maio do ano passado para que comparecesse em processo por narcotráfico, lavagem de ativos e financiamento ao terrorismo.

O ex-paramilitar também advertiu que ainda "faltam muitos" congressistas na investigação do escândalo da "parapolítica", de ligações com as AUC e com a qual foram vinculados quase 70 parlamentares, a maioria deles da coalizão no Governo.

Além disso, Mancuso denunciou que Miguel Narváez, antigo subdiretor do Departamento Administrativo de Segurança (DAS, estatal), "concedeu doutrinamento ideológico" aos paramilitares antes de ingressar na central de inteligência na época da direção de Jorge Noguera (2002-2005), detido e processado por ligações com as AUC. EFE jgh/bba

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