Ex-chefe de serviço secreto colombiano é condenado a 25 anos de prisão

Jorge Noguera, ex-diretor do DAS durante presidência de Uribe, foi sentenciado por colaborar com paramilitares

iG São Paulo |

AFP
Jorge Noguera foi setenciado a 25 anos de prisão por homicídio (23/2/2004)
A Suprema Corte de Justiça da Colômbia condenou nesta quarta-feira a 25 anos de prisão Jorge Noguera, ex-diretor do serviço secreto (DAS) durante a presidência de Álvaro Uribe (2002-2010), por crime de conspiração. Essa foi a primeira vez que um alto funcionário do ex-presidente é sentenciado.

De acordo com a decisão, Noguera pôs à disposição dos paramilitares o órgão de inteligência do Estado, ao ponto que chegou a fornecer-lhes uma lista de sindicalistas, professores e outras personalidades, a quem identificou como supostos inimigos desses grupos armados ilegais. Essas pessoas, mais tarde, foram assassinadas.

Entre os nomes que figuravam nesta lista estava o do professor univesitário Alfredo Correa de Andreis.

O tribunal decidiu sentenciá-lo a 25 anos de prisão, informou a nota, indicando que ele também deverá pagar duas indenizações "por danos morais" a três familiares da vítima, equivalentes a 200 e 100 salários mínimos legais mensais (US$ 297 cada no câmbio atual), respectivamente, e não poderá exercer um cargo público pelo período de 20 anos.

De acordo com a versão online do jornal El País, o testemunho de Rafael García Torres, que foi diretor de informática do DAS, foi uma peça fundamental para que a Corte Suprema de Justiça o condenasse por crime de conspiração, uso ilegal de informação privilegiada, entre outros crimes. Nesta decisão, também foi determinada a absolvição de Noguera pelos homicídios de Zulli Codinas Pérez e Fernando Pisciotti.

Noguera foi diretor do DAS, órgão que depende diretamente da presidência, entre 2002 e 2006, e suas atividades ilícitas teriam se desenvolvido em colaboração com paramiliatares de extrema direita infiltrados no órgão a seu cargo.

Sua condenação é a primeira de um alto funcionário diretamente nomeado por Álvaro Uribe, alvo de críticas de organizações de defesa dos Direitos Humanos, que o acusam de violações durante seus dois mandatos.

O ex-presidente reagiu à condenação em sua conta do Twitter, afirmando que nomeou Noguera "por sua história de vida e sua família". "Confiei nele, e se ele cometeu delitos sinto muito e peço perdão aos cidadãos", declarou.

A Anistia Internacional, organização de Direitos Humanos com sede em Londres, qualificou a condenação como "um grande passo para a Justiça", em um comunicado divulgado em Bogotá.

* Com AFP

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