Ex-chefe de gabinete argentino renunciou por diferenças com Cristina

Buenos Aires, 24 jul (EFE).- Alberto Fernández admitiu hoje que renunciou como chefe de gabinete da Argentina devido a diferenças com a presidente Cristina Fernández de Kirchner e seu marido e antecessor no cargo, Néstor Kirchner.

EFE |

"Senti que não fazia sentido continuar em um lugar onde me custava sustentar o que pensava. O melhor que podia fazer era dizer à presidente que nesta instância há coisas que vemos de formas diferentes", disse à argentina "Rádio 10" em suas primeiras declarações desde que apresentou sua renúncia, na quarta passada.

"Acho que neste momento, sinceramente não estou ajudando. Estou complicando mais que ajudando, por isso a decisão", acrescentou Fernández, que foi um dos dirigentes mais próximos ao casal Kirchner.

Alberto Fernández renunciou em meio ao impacto da derrota política que o Governo sofreu.

Na última quinta-feira, com o voto decisivo do vice-presidente do país, Julio Cobos, o Senado rejeitou um sistema de impostos móveis à exportação de grãos, motivo de quase quatro meses de conflito com o setor agrário.

O ex-chefe de gabinete reconheceu que o Executivo está "em um momento difícil" em que "precisa seguir adiante", mas ressaltou que o país "tem uma grande presidente".

Ele ainda destacou que "não foram em vão" os anos que esteve no cargo, que ocupava desde 25 maio de 2003, quando foi designado por Néstor Kirchner.

"Sinto que fui um ator em um tempo no qual as coisas mudaram para o bem. O Governo Kirchner foi excepcional", acrescentou.

Fernández evitou comentar rumores sobre enfrentamentos seus com outros membros do Governo e ressaltou que não acha que os outros ministros "devam renunciar", como pedem setores da oposição.

Ele ainda insistiu que renunciou "não para complicar a vida" de Cristina, mas "para facilitá-la".

Sergio Massa, um advogado de 36 anos até agora prefeito da cidade de Tigre, assumirá hoje a chefia do Gabinete em um ato liderado pela presidente na sede do Executivo. EFE alm/ab/rr

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