Ex-chefe da Inteligência argentina vai depor em denúncia contra os Kirchner

O ex-chefe da Inteligência argentina Sergio Acevedo será testemunha no processo judicial aberto após a denúncia de enriquecimento ilícito contra a presidente Cristina Kirchner e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, informou nesta terça-feira uma fonte judicial.

AFP |

A declaração de imposto de renda do casal, que se reveza no poder desde 2003, apresentada em 2009 perante o Escritório Anticorrupção, indica a posse de 46 milhões de pesos (12 milhões de dólares) em bens, cifra que representa um aumento de 158% em relação a 2008.

"É incompatível que alguém aumente assim seu patrimônio com base nas atividades que declaram", disse nesta terça-feira Acevedo, ex-governador de Santa Cruz (sul) e ex-secretário de Estado da Inteligência do governo de Néstor Kirchner (2003-2007).

A riqueza patrimonial dos Kirchner se divide em imóveis, depósitos bancários e negócios no ramo da hotelaria, principalmente em Santa Cruz (Patagônia), província natal de Néstor Kirchner, que foi governador do distrito nos anos 90, quando sua mulher era senadora.

"Ninguém que exerça o poder está impedido de ter um patrimônio em vida, é a essência do capitalismo", declarou o chefe de Gabinete da presidente Kirchner, Aníbal Fernández.

O patrimônio dos Kirchner está sob a lupa de juízes federais, que diante das denúncias tentam determinar se o espantoso enriquecimento do casal foi ilícito.

Acevedo foi homem de máxima confiança do casal Kirchner, mas agora se opõe ao governo - mesmo antes da derrota do partido da presidente nas eleições legislativas de 28 de junho.

A justiça tenta esclarecer a suposta compra de terras fiscais em El Calafate, pólo turístico de Santa Cruz em uma zona de geleiras, por preços absurdos.

"É condenável que alguém compre terras fiscais a sete pesos (1,84 dólar) o metro quadrado e as venda a 300 pesos (78,94 dólares) sem colocar um só ladrilho em cima, com uma atitude de usura", disse Acevedo.

Os terrenos, situados no centro da paradisíaca vila patagônica, estão "providos de todos os serviços e foram vendidos pela prefeitura a (Néstor) Kirchner, que os revendeu a uma firma comercial", explicou Acevedo.

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