Ex-chanceler servo-bósnio diz que houve acordo entre Karadzic e EUA

Belgrado, 2 ago (EFE).- O ex-chanceler servo-bósnio Aleksa Buha disse hoje que houve um acordo entre Radovan Karadzic e o então mediador dos Estados Unidos, Richard Holbrooke, em que o ex-líder não seria perseguido pela Justiça internacional em troca de se retirar da política e da vida pública.

EFE |

Buha declarou à rádio "Beograd" que presenciou as conversas a respeito "na noite de 18 e 19 de julho de 1996 em Belgrado", e que também estiveram presentes na reunião o ex-presidente da antiga Iugoslávia Slobodan Milosevic e o então ministro de Assuntos Exteriores iugoslavo, Milan Milutinovic.

"Tratava-se que, com base em um acordo anterior, suponho que entre Milosevic e Holbrooke", que deveria ser formalizado assim "que Karadzic enviasse por escrito um texto em que se retirava de todas as acusações e se comprometia a não se dedicar à política", explicou Buha.

Buha assegurou que Karadzic assinou esse documento em Pale, localidade próxima a Sarajevo, onde Karadzic tinha sua sede durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

O ex-chanceler afirmou que o próprio Holbrooke, artífice do Acordo de Dayton para a Bósnia, disse a ele nessa ocasião que, depois desse documento, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia, "seria passado para Karadzic".

Segundo Buha, um pacto similar para que Karadzic "desaparecesse" em troca de não ser perseguido aconteceu um ano mais tarde em Banja Luka, no noroeste da Bósnia.

Karadzic afirmou na quinta-feira, em seu primeiro comparecimento perante o TPII, que fez um acordo em 1996 com Holbrooke para se retirar da vida pública em troca de imunidade, e denunciou que agora teme sua vida por causa disso.

Holbrooke, no entanto, negou categoricamente a existência de tal pacto.

Karadzic foi capturado em 21 de julho nos arredores de Belgrado, onde vivia sob identidade falsa, e foi extraditado para o TPII na quarta-feira.

O ex-presidente servo-bósnio é acusado do genocídio de Srebrenica, do cerco a Sarajevo e de outros graves crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia.

O jornal "Blic", de Belgrado, cita em sua edição de hoje uma fonte da CIA que garante que Karadzic teve proteção dos Estados Unidos até 2000, segundo o acordo mencionado por Holbrooke.

A proteção informal foi retirada naquele ano, segundo a fonte, porque foi interceptada uma conversa telefônica de Karadzic que revelou que ele dirigia em segredo o Partido Democrático da Sérvia (DSS), fundado por ele, violando assim o acordo pactuado. EFE Sn/wr/rr

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