Excêntrico Boris Johnson ganha, por pouco, prefeitura de Londres

O conservador Boris Johnson, um ex-jornalista de 43 anos, conquistou a prefeitura de Londres, derrotando o trabalhista Ken Livingstone, de 63, de acordo com os resultados definitivos divulgados nesta sexta-feira à meia-noite (hora local).

AFP |

Com sua simpatia, Boris Johnson, famoso por suas gafes e por suas tiradas, venceu o prefeito em final de mandato, que nasceu e cresceu em um bairro pobre do sul londrino, por 1.168.738 votos a 1.028.966.

"Foi uma disputa maratônica", declarou Johnson no discurso da vitória, no qual homenageou Livingstone, que "tem a admiração de milhares de londrinos".

Para decidir quem seria o prefeito de Londres, cidade de quase 8 milhões de habitantes, foram considerados os votos em outros candidatos minoritários, que apontam uma segunda opção.

O resultado na capital significa um duro golpe para os trabalhistas, após a humilhante derrota sofrida pelo partido de Gordon Brown nas eleições locais realizadas ontem na Inglaterra e no País de Gales, nas quais perderam 331 vereadores. Essa foi sua pior derrota em mais de 40 anos.

Já para os "tories", conquistar Londres representa um apoio crucial para as aspirações do líder do Partido Conservador, David Cameron, de se tornar premier do Reino Unido, nas próximas eleições gerais, em 2010.

Johnson venceu, apesar de sua experiência política ser mínima. Em 2001, ganhou a cadeira pela circunscrição de Henley, representando os conservadores. O cargo de maior responsabilidade que teve até agora foi como porta-voz da Cultura dos "tories", posto que teve de abandonar no outono (hemisfério norte) de 2004 por uma relação extraconjugal.

Em seu discurso, Boris Johnson reconheceu que os londrinos têm reservas sobre ele e se comprometeu a fazer de tudo para mudar essa imagem, trabalhando com empenho por Londres.

Facilmente reconhecido por sua despenteada cabeleira louro-palha, Boris já foi apelidado de "bobo gago" pela imprensa britânica, que costuma se referir a ele sem cerimônia, apenas pelo primeiro nome.

Depois de uma série de gafes e de revelações embaraçosas sobre sua vida privada, ele não parecia ser o candidato ideal para tomar Londres de Ken Livingstone. Graças à sua personalidade forte e à sua popularidade com o cidadão comum, porém, ele conseguiu se impor no Partido Conservador como o único candidato capaz de ameaçar o prefeito em final de mandato.

Na campanha, seus adversários apontaram para a falta de experiência, questionando sua capacidade de administrar uma cidade com orçamento de 11 bilhões de libras (14 bilhões de euros) e que se prepara para sediar os Jogos Olímpicos em 2012.

Curiosamente, agora, será o eurocético Johnson que presidirá o evento, cuja sede Londres conquistou sob o mandato de Livingstone, que contribuiu para transformar a cidade em uma capital dinâmica e cosmopolita, vibrante, multicultural e sustentável.

Sobre esse ex-jornalista, Brian Paddick, candidato do Partido Liberal-Democrata à prefeitura comentou que "precisamos de um embaixador sério para ser prefeito de Londres, não de um palhaço".

Em 2004, Boris acusou os moradores de Liverpool de sentirem prazer com a "condição de vítima", quando o refém Ken Bigley, natural dessa cidade, foi decapitado no Iraque. O líder dos conservadores na época, Michael Howard, obrigou-o, então, a ir pessoalmente apresentar suas desculpas à população local, revoltada com suas declarações.

Em 2006, quando comparou as lutas internas entre os "tories" aos costumes do "canibalismo e assassinato do chefe", que estariam acontecendo, segundo ele, na Papua Nova Guiné, os diplomatas dessa ilha do Pacífico protestaram.

As associações anti-racistas e os deputados negros de Londres ficaram com seus artigos, nos quais ele os chamava de "pretinhos" com "sorrisos de melancia", entalados na garganta. Ainda assim, Boris Johnson rejeita as críticas dos que o acusam de racismo, apresentando-se como um "melting pot humano".

O controverso candidato contou, em sua campanha, com o apoio do jornal londrino "Evening Standard". Esse veículo, do grupo do magnata da comunicação Rupert Murdoch, fez uma campanha feroz contra o prefeito, antes conhecido como "Ken, o Vermelho", ilustrando as primeiras páginas com os escândalos que envolveram colaboradores de Livingstone.

Freqüentemente reticente sobre seu programa, Boris, que como Livingstone foi um rebelde em seu partido, apresentou-se, sobretudo, como o candidato "da mudança".

Nascido em Nova York, em 1964, Johnson fez seus estudos com a elite britânica, no prestigiado Colégio Eton, e foi para Oxford estudar Letras Clássicas, ao lado de David Cameron, hoje líder do Partido Conservador.

Uma carreira no jornalismo o levou ao "Daily Telegraph", onde trabalhou como comentarista até 1999, e depois à revista conservadora "The Spectator", na qual foi editor-chefe até 2005.

Apesar dos vários momentos difíceis na política, ele sempre conseguiu se destacar, apostando em sua patetice e em seu humor, que fizeram dele uma coqueluche dos jornais. Sempre disposto a dizer o que pensa, Boris conseguiu, dessa forma, transformar-se em uma celebridade, graças às suas divertidas intervenções em programas de televisão, às suas extravagâncias e aos escândalos extraconjugais.

Já Ken Livingstone, que se lançou como independente em 2000 e se tornou, em maio daquele ano o primeiro prefeito eleito por voto direto, contava com uma ampla experiência em gestão urbana e uma definida visão de Londres, que utilizou para transformar a cidade.

Sua estratégia principal foi modernizar o sistema de transportes, renovando a frota de ônibus, promovendo o uso da bicicleta e introduzindo, em 2003, um pedágio para o acesso ao centro da cidade, o que reduziu o tráfego e os congestionamentos.

ame/tt/LR

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