Ex-bispo católico assume a Presidência do Paraguai nesta sexta-feira

O ex-bispo católico Fernando Lugo assume nesta sexta-feira a presidência do Paraguai depois de 61 anos no poder do conservador Partido Colorado, em solenidade na praça do Congresso.

AFP |

Dispensado excepcionalmente pelo Papa Bento XVI para exercer o cargo, o novo governante prestará juramento ante o presidente do Congresso, González Quintana.

O atual presidente, Nicanor Duarte, desculpou-se por não passar a faixa presidencial, em meio a críticas de seus partidários que o chamam de "marechal da derrota" - ele teria contribuído para a derrota do partido Colorado depois de 61 anos no governo, aí incluídos os 35 anos da ditadura de Alfredo Stroessner.

O ex-bispo católico Fernando Lugo , de 56 anos, é partidário da Teologia da Libertação, admirador de Leonardo Boff e de Dom Helder Câmara, simpatizante dos governos de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e de Rafael Correa (Equador).

No Equador, ele trabalhou com monsenhor Leonidas Proaño, conhecido pelos equatorianos como "o bispo dos pobres".

Sobrinho de um dirigente do Partido Colorado (oficialista) que foi perseguido e exilado pelo ditador Alfredo Stroessner (1954/89), Lugo entrou tarde para a política, em 29 de março de 2006, quando conseguiu reunir 40.000 pessoas de todas as tendências políticas para protestar contra o atual governo de Nicanor Duarte.

Lugo venceu as eleições de 20 de abril com 40% dos votos derrotando a candidata governista Blanca Ovelar (30%), apoiado pela coalizão de centro-esquerda Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

A chegada ao poder de Lugo gerou um ambiente de expectativa na população de 6 milhões de habitantes, 40% deles pobres (dos quais 20% miseráveis).

No total, 76% dos paraguaios esperam que com o novo governo a situação do país melhore, revela hoje pesquisa da empresa First Analisis, encomendada pelo diário ACB Color.

Assistirão à cerimônia de posse os presidentes Evo Morales, Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Luiz Inacio Lula da Silva, Tabaré Vázquez, Michelle Bachelet, Rafael Correa, Manuel Zelaya de Honduras, Daniel Ortega da Nicarágua e Ma Ying Jeou de Taiwan.

Já está em Assunção o príncipe espanhol Felipe de Borbón.

Personalides conhecidas como o prêmio Nobel da economia dos Estados Unidos, Joseph Stiglitz, o sacerdote e poeta nicaragüense Ernesto Cardenal, e o escritor uruguaio Eduardo Galeano, entre outros, vão ocupar um lugar especial na tribuna.

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