Londres, 26 jan (EFE).- Elizabeth Wilmhurst, a assessora legal da Chancelaria britânica que renunciou em protesto contra a invasão ao Iraque, afirmou hoje que a gestão do Executivo britânico para justificar a legalidade do envido de tropas ao país árabe foi lamentável.

No depoimento que fez à comissão que investiga o conflito, Wilmshurst declarou que sempre teve claro que a operação militar para derrubar o então presidente iraquiano, Saddam Hussein, era ilegal sem uma resolução clara das Nações Unidas.

A ex-assessora afirmou ainda que os advogados do Ministério de Assuntos Exteriores do Reino UNido concordavam com a necessidade de o Conselho de Segurança da ONU emitir uma resolução autorizando uma ação militar.

"Todos os advogados que tinham a ver com este assunto na Chancelaria tinham inteiramente o mesmo ponto de vista", disse Wilmhurst.

Segundo a ex-assessora, todos achavam que uma invasão sem uma segunda resolução geraria "um cenário de pesadelo" do ponto de vista legal, e todos também expressaram esse posicionamento aos superiores.

Wilmhurst acrescentou que a mensagem transmitida ao Governo nos meses anteriores à invasão foi de cautela. "Estávamos falando da invasão maciça de outro país, de uma mudança de Governo nesse país.

Nessas circunstâncias, me parecia claro que deveríamos seguir o caminho mais seguro", destacou.

Para a ex-assessora, essa atitude só não se sustentou porque "estava claro que (o então) procurador-geral do Estado, Peter Goldsmith, não ia ser meter no caminho do Executivo".

Goldsmith foi quem garantiu a legalidade da operação militar lançada pelo Governo em março de 2003, lembrou Wilmhurst, que criticou o Executivo de Tony Blair pela decisão de consultar o ex-procurador só no último momento.

De acordo com a ex-funcionária, a demora na consulta foi intencional. O resultado, destacou Wilmhurst, foi uma enorme pressão política sobre o procurador-geral, uma vez que já havia uma mobilização militar em andamento. EFE fpb/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.