Ex-assessor acusa Chirac de receber dinheiro de líderes africanos

Ex-presidente francês e ex-premiê Dominique de Villepin negam ter recebido US$ 20 milhões em doações ilegais de campanha

iG São Paulo |

AP
Dominique de Villepin (esq) e Jacques Chirac, em foto de maio de 2007
Um ex-conselheiro do governo francês acusou o ex-presidente Jacques Chirac e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin de receber milhões de dólares em doações ilegais feitas por líderes africanos. Chiraq e Villepin negaram as acusações e planejam processar o advogado e ex-assessor Robert Bourgi por difamação.

Em entrevista ao jornal Journal Du Dimanche e à rádio francesa Europe 1, Bourgi disse ter entregue aos dois líderes cerca de US$ 20 milhões (equivalente a R$ 34 milhões) dados por chefes de Estado de antigas colônias francesas na África. Segundo ele, as doações ilegais para a campanha de Chiraq de 2002 eram muitas vezes escondidas em malas e tambores africanos.

"Estimo ter entregue US$ 20 milhões a Chirac e a Villepin entre 1995 e 2005", disse Bourgi à rádio Europe 1. Ele definiu a si mesmo com um "carregador de sacolas" para os dois políticos. "Vi Chirac e Villepin contarem o dinheiro", acrescentou.

Segundo o advogado, o dinheiro foi doado pelos líderes de Senegal, Burkina Fasso, Costa do Marfim, Congo e Gabão. Dois dos líderes que estavam no poder à época ainda estão no cargo: Abdoulaye Wade, do Senegal, e Blaise Compaore, de Burkina Fasso.

Bourgi também foi assessor do presidente Nicolas Sarkozy, mas negou ter entregue dinheiro a ele. Os assessores de Sarkozy também negaram que ele tenha qualquer relação com as acusações. Villepin é um potencial concorrente de Sarkozy na eleição de abril.

Os partidos franceses têm sido envolvidos em vários escândalos desde os anos 1990 por quebrar as rigorosas regras da Justiça com relação ao financiamento de campanha. Bourgi disse que a prática de recorrer a aliados africanos data dos anos 1960 e ele acredita que poucos políticos a desconhecem.

Chirac, cujo partido desfrutou de laços especialmente próximos com os governantes autocráticos das antigas colônias, está sendo julgado sob a acusação de mau uso dos fundos públicos quando foi prefeito de Paris. Seus advogados dizem que o político, que está com 78 anos, não tem condições mentais para prestar depoimento.

Com EFE e Reuters

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