Exames mostram que EUA torturaram detentos, diz grupo médico

Por Deborah Charles WASHINGTON (Reuters) - Exames médicos feitos em 11 acusados de terrorismo mantidos sob custódia de militares dos Estados Unidos encontraram provas de atos de tortura física e psicológica que resultaram em danos de longo prazo, afirmou na quarta-feira um grupo de defesa dos direitos humanos.

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Entre os maus-tratos citados pelas vítimas incluíam-se espancamentos, abuso sexual, confinamento em solitária, nudez forçada e a obrigação de ficar em posições dolorosas com as mãos e os pés amarrados.

'As avaliações físicas fornecem provas de violações de leis criminais que proíbem a tortura além da prática de crimes de guerra por militares norte-americanos', disse o relatório da organização Médicos pelos Direitos Humanos, um grupo com sede em Cambridge (Massachusetts).

A imagem das Forças Armadas dos EUA viu-se manchada por abusos cometidos na prisão de Abu Ghraib e por críticas lançadas contra o campo de prisioneiros montado na base naval da baía de Guantánamo (Cuba). Grupos de defesa dos direitos humanos condenaram o governo dos EUA por permitir a utilização de técnicas de interrogatório consideradas formas de tortura.

A entidade Médicos pelos Direitos Humanos disse que seu relatório fornece as informações mais detalhadas existentes -- e complementadas por provas médicas -- a respeito do que aconteceu com os detentos sob custódia dos EUA que foram torturados.

'Adicionalmente, esse documento fornece novas provas sobre o papel desempenhado por profissionais da área de saúde ao facilitarem a prática de abusos estando presentes durante as torturas e os maus-tratos, sem que tentassem impedir ou mesmo denunciar essas práticas', afirmou o relatório.

Segundo o documento, sete dos 11 detentos pensaram em suicidar-se depois dos abusos.

O relatório foi divulgado um dia depois de o Congresso dos EUA ter discutido, durante uma audiência, como autoridades do Pentágono haviam criado novas técnicas de interrogatório depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, em meio a questões sobre se havia um esforço sistemático do governo norte-americano para identificar os procedimentos mais penosos.

Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono, disse que o estudo apresentava falhas gritantes, entre as quais o fato de os especialistas não conhecerem todo o histórico médico dos detentos.

Whitman afirmou que o Departamento de Defesa havia realizado inúmeras revisões a respeito de seus procedimentos e feito ajustes, mas que sempre tinha adotado a política de tratar os detentos humanamente.

O grupo Médicos pelos Direitos Humanos realizou dois dias de entrevistas e exames com cada um dos 11 detentos a fim de documentar as consequências físicas e psicológicas do tratamento sofrido na prisão.

Quatro dos homens foram detidos no Afeganistão ou levados para o Afeganistão entre o final de 2001 e o começo de 2003 para então serem enviados a Guantánamo. Todos ficaram presos por cerca de três anos antes de terem sido libertados sem que qualquer acusação formal tivesse sido apresentada.

Os outros sete ficaram detidos no Iraque, a maior parte deles na famigerada prisão de Abu Ghraib, em 2003 e foram libertados sem terem sido acusados de nada ainda naquele ano ou em 2004.

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