Exame de DNA confirma que argentina é filha de desaparecidos na ditadura

Buenos Aires, 23 abr (EFE) - As Avós da Praça de Maio informaram hoje que Evelyn Karina Vázquez é filha de um casal de desaparecidos na última ditadura militar argentina (1976-1983), depois que a jovem protagonizou uma grande polêmica por ter se negado a fazer exame de DNA. Os testes genéticos confirmaram que Evelyn é a neta número 89 recuperada pelas Avós, depois de um processo judicial que durou anos. A diretora do Banco Nacional de Dados Genéticos, Belén Rodríguez, afirmou que a análise revelou que a semelhança com sua família biológica é de 99,99%, pelo que se considera que a menina é filha do casal formado pelos desaparecidos Rubén Bauer e Susana Pegoraro. O vice-presidente das Avós, Rosa Roisinblit, disse à agência Télam que a jovem terá um documento com os sobrenomes de seus pais biológicos. O caso de Evelyn Karina Vázquez, o nome dado pela família que recebeu a menina, foi um dos mais polêmicos entre os de filhos de desaparecidos. Isso porque uma de suas avós biológicas, Angélica Chimeno, pediu à Justiça que fizesse testes de DNA, já que a jovem se recusava a fazer um exame de sangue para não prejudicar a família que a tinha criado. No entanto, o pai da jovem, Policarpo Vázquez, reconheceu durante um processo judicial que a tinha adotado ilegalmente e, por isso, um tribunal argentino pediu que fossem buscados em sua casa objetos para fazer exames genéticos, entre eles uma escova de dentes. Durante 20 anos, Evelyn disse que não quer...

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Os pais de Evelyn foram seqüestrados em 18 de junho de 1977.

Susana Pegoraro, de 21 anos, foi presa em Buenos Aires junto a seu pai quando estava grávida de cinco meses, enquanto Rubén Bauer, de 22, foi detido na cidade de La Plata, a 50 quilômetros da capital do país.

Pelo depoimento de vários sobreviventes, soube-se que Susana foi levada à Escola Superior de Mecânica da Marinha (Esma), o maior centro clandestino de detenção da ditadura, onde deu à luz em novembro desse mesmo ano.

O seqüestro do casal valeu uma condenação à prisão perpétua aos ex-marinheiros Alfredo Astiz e Jorge "El Tigre" Acosta em processo realizado à revelia dos acusados pela Justiça italiana.

Segundo dados oficiais, durante a ditadura desapareceram 18 mil pessoas, embora as organizações de direitos humanos elevem o número a 30 mil.

As Avós da Praça de Maio estimam que pelo menos 500 crianças nasceram enquanto seus pais estavam seqüestrados e foram entregues a outras famílias, e por enquanto conseguiram restabelecer a verdadeira identidade de 89 deles. EFE plc/db

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