Evolução do caso Jean Charles, que pôs a Scotland Yard contra parede

Londres, 12 dez (EFE).- O júri da investigação pública sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado em 2005 em uma estação de metrô de Londres por agentes que o confundiram com um terrorista, declarou hoje o veredicto aberto, no qual não se pronuncia sobre a responsabilidade da Polícia no incidente.

EFE |

A cronologia dos fatos mais relevantes relacionados com a morte de Jean Charles é a seguinte: - 2005.

JULHO:.

22.- Agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard atiram contra um homem na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres.

O então comissário da Scotland Yard, Ian Blair, afirma que o tiroteio está "diretamente relacionado" com a operação para deter os terroristas que tentaram um dia antes detonar bombas em três vagões do metrô e um ônibus urbano.

23.- A Scotland Yard admite que o homem que foi baleado no metrô era inocente e o identifica como Jean Charles de Menezes, um cidadão brasileiro de 27 anos e eletricista de profissão.

24.- Ian Blair pede desculpas pela morte de Jean Charles e diz que aceita sua total responsabilidade pelo ocorrido, mas defende a tática de "atirar para matar" nos casos de terroristas suicidas.

25.- É confirmado que Jean Charles recebeu sete tiros na cabeça e um no ombro.

Agosto:.

16.- A televisão britânica "ITV" divulga documentos filtrados pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) segundo as quais Jean Charles não teve uma conduta suspeita no metrô, como sustentava a Scotland Yard.

A TV disse que o brasileiro entrou andando, validou seu bilhete e até pegou um exemplar de um jornal gratuito antes de subir no vagão onde foi baleado.

18.- A IPCC confirma que a Scotland Yard resistiu ao início da investigação da morte do jovem.

21.- Em entrevista exclusiva ao jornal sensacionalista "News of the World", Ian Blair assinalou que não soube que seus agentes tinham disparado contra um homem inocente até 24 horas depois do tiroteio.

22.- Uma delegação brasileira chega a Londres para se reunir com representantes da IPCC, da Scotland Yard, com os advogados da família Jean Charles e a Procuradoria.

SETEMBRO:.

27.- Os pais de Jean Charles, Matozinhos Otone da Silva e Maria Otone de Menezes, chegam ao Reino Unido para pedir justiça pela morte de seu filho.

OUTUBRO:.

12.- A família de Jean Charles apresenta uma reparação formal pela informação errônea que circulou horas depois do trágico fato.

NOVEMBRO:.

28.- A IPCC anuncia que investigará também Blair em resposta à queixa oficial apresentada pela família do jovem, que acusa o comissário de "enganar" em relação com o fato.

DEZEMBRO:.

9.- O presidente da IPCC, Nick Hardwick, diz ser "provável" que haja que apresentar acusações criminais contra os agentes que atiraram em Jean Charles.

2006.

JANEIRO:.

19.- A IPCC remete à Procuradoria seu relatório sobre a morte do jovem brasileiro.

29.- O sensacionalista "News of the World" revela que vários policiais que vigiaram Jean Charles falsificaram provas para esconder erros que causaram o incidente.

30.- Ian Blair admite que foi "um grave erro" não corrigir imediatamente a informação falsa divulgada sobre Jean Charles.

Julho:.

13.- A "BBC" revela que a IPCC recomendou à Procuradoria acusar de homicídio dois agentes e uma oficial pela morte de Jean Charles.

17.- A Procuradoria anuncia sua decisão de processar a Polícia de Londres em virtude da chamada lei de saúde e segurança no trabalho de 1974, mas não apresenta acusações contra nenhum agente.

19.- A Polícia Metropolitana de Londres se declara inocente das acusações.

DEZEMBRO:.

5.- Os parentes do jovem pedem a revisão judicial da decisão da Procuradoria e alegam que não processar agentes viola seus direitos humanos.

14.- A Justiça britânica rejeita o pedido da família de Jean Charles de revisar a decisão da Procuradoria de não processar agentes.

2007.

MAIO:.

11.- A IPCC anuncia que 11 envolvidos na morte do brasileiro não serão punidos, embora não se pronuncia sobre outros quatro agentes de maior categoria implicados também no fato.

JUNHO:.

14.- A família de Jean Charles perde a batalha legal para acelerar o início da investigação judicial da morte do brasileiro.

AGOSTO:.

2.- A segunda investigação sobre a morte de Jean Charles, elaborada pela IPCC, conclui que a Scotland Yard cometeu "graves erros" no caso e exonera Ian Blair, porque ficou "quase desinformado totalmente" sobre os detalhes da tragédia.

O relatório revela, além disso, que o subcomissário encarregado das operações especiais da Scotland Yard, Andy Hayman, "mentiu" para opinião pública ao não informar a tempo seus superiores, entre eles o próprio Ian Blair, de que tinham matado um inocente.

OUTUBRO 1º.- Começa o julgamento contra Scotland Yard no tribunal londrino de Old Bailey.

NOVEMBRO 1.- O júri do tribunal declara a Scotland Yard culpada por violar a lei de segurança e higiene no trabalho em relação à morte de Jean Charles.

8.- A IPCC critica Ian Blair em um novo relatório, por atrasar a investigação sobre a morte do brasileiro.

2008.

SETEMBRO:.

22.- Começa a investigação pública sobre a morte de Jean Charles.

OUTUBRO;.

2.- O comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, pede demissão após meses sob pressão por seu questionado trabalho e após admitir que não contava com o apoio do prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson.

6.- A oficial responsável pela operação na qual Jean Charles morreu, Cressida Dick, declara na investigação que o jovem foi vítima de "circunstâncias terríveis e extraordinárias".

21.- Um agente da Scotland Yard, que depôs na investigação com o pseudônimo de "James", afirma que Jean Charles morreu porque a Polícia cometeu "erros óbvios".

DEZEMBRO:.

2.- O juiz da investigação pública do caso Jean Charles, Michael Wright, afirma que o júri não poderá emitir um veredicto de homicídio injustificado. Precisa que o júri popular deverá se pronunciar sobre dois tipos de resolução: homicídio legal ou veredicto aberto.

4.- A família de Jean Charles protesta perante o júri pelos limites impostos pelo juiz ao veredicto do caso.

12- O júri da investigação pública emite "veredicto aberto", uma das duas opções dada pelo juiz Michael Wright. Com a sentença, o júri deixou claro que a morte do jovem não foi um homicídio justificado (a outra opção dada pelo magistrado). EFE vg/rr

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