Evo sugere que EUA são "anticivilização"

Em Fórum da ONU no Rio, líder boliviano critica quem "quer se impor sobre outras civilizações e transformar todos em consumidores"

Anderson Dezan e Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Sem mencionar diretamente o nome do país, mas em clara referência aos Estados Unidos, o presidente da Bolívia, Evo Morales, chamou nesta sexta-feira de “anticivilização” a política que destrói a cultura de outros povos em troca do lucro e do capital. Evo afirmou também que essa prática destrutiva pode eliminar “outras civilizações da face da Terra”.

AP
Presidente boliviano, Evo Morales, discursa em Fórum da ONU no Rio de Janeiro
“Temos uma anticivilização que quer se impor sobre as outras civilizações, através do rádio e da TV, e busca transformar todos em consumidores. As pessoas valem pelo que têm e não pelo que são. A anticivilização não tem apego pela história e cultura dos povos. A única coisa por que tem apego é à ganância, o único sagrado é o capital”, disse, durante o Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, no Rio de Janeiro.

Durante as apresentações, o dirigente boliviano foi o mais aplaudido da mesa – que reunia ainda a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o premiê de Portugal, José Socrates – e teve o discurso interrompido duas vezes por manifestações de apoio da plateia.

Evo atacou o polêmico acordo assinado ano passado entre os EUA e a Colômbia que permite a Washington usar pelo menos sete bases militares do país sul-americano. Na ocasião, o Brasil se manifestou contra a medida, muito criticada especialmente por Evo e pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

“Civilização não se faz com guerras e balas e com intervenções e bases militares”, afirmou o presidente boliviano. “O pior não são suas armas letais, mas seus meios de difusão, que alteram os nossos valores. Toda a humanidade está em risco de extinção”, avaliou, sugerindo uma união para salvar os homens e a natureza do capitalismo.

O Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas ocorre até amanhã no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Aterro do Flamengo, zona sul da capital fluminense. No encontro estão sendo debatidos temas voltados para as diferenças culturais e a união dos povos.

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