Evo Morales vota em referendo e pede unidade para a Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, expressou neste domingo seu desejo de alcançar a unidade do povo boliviano ao votar neste domingo, na zona cocaleira do Chapare, no referendo que coloca seu cargo em jogo.

AFP |

"Meu grande sonho é que haja uma grande unidade do povo boliviano", afirmou o pesidente, falando a jornalistas locais e estrangeiros, que se reuniram na Villa 14 de Septiembre, no Chapare, seu berço político e onde é idolatrado.

Na na véspera, Morales acusou os Estados Unidos de financiar violentas manifestações cívicas contra sua pessoa, como a que aconteceram durante a semana passada na cidade de Trinidad, onde devia encabeçar um comício, mas foi impedido por grupos civis.

"Na quarta eu devia ir a Trinidad, mas essa mobilização que aconteceu foi paga pela embaixada dos Estados Unidos", afirmou.

No referendo deste domingo Morales e oito governadores terão seus cargos submetidos à avaliação popular.

Morales tem confiança que vai ganhar o referendo revogatório deste domingo, com o apoio recebido em regiões andinas e vales do país, embora seja rejeitado em zonas da Amazônia e nos planaltos controlados pela oposição.

"Não tenho medo do povo, é melhor se submeter ao povo do que a certos interesses internos e externos", afirmou neste sábado o presidente, em entrevista à imprensa em La Paz, referindo-se à oposição política e empresarial de direita e aos Estados Unidos, país com o qual mantém constantes atritos.

Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia em 183 anos, está seguro de que colherá o que semeou em dois anos e meio de gestão: nacionalizou os recursos em hidrocarbonetos e empresas petrolíferas da nação e se propõe a distribuir as terras improdutivas que estão nas mãos de ricos latifundiários dos altiplanos e da Amazônia para camponeses pobres, seus fiéis eleitores.

Segundo ele, em algumas pesquisas ele tem até 79% dos votos a seu favor, embora sondagens privadas locais indiquem percentual de 54% de apoio.

O chefe de Estado será removido do cargo se os votos contra ele passarem de 53,74%, o mesmo percentual que obteve nas eleições de 2005.

Morales goza de amplo apoio, principalmente, nas regiões andinas de La Paz (Leste), Oruro (sul) e Potosí (sul), nas áreas rurais dos vales de Cochabamba (centro) e Chuquisaca (sudeste) e em menor medida na amazônica Pando (norte), receptora de uma forte migração aymara.

No entanto, as expectativas do presidente não são boas na região rica em gás de Tarija, na agroindustrial Santa Cruz e na pecuarista Beni, além das cidades de Sucre e Cochabamba, que resistem ao modelo de governo proposto por Morales.

Os movimentos civis nessas regiões promovem sem cessar uma formação de governos autônomos de cunho liberal.

Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija já aprovaram seus estatutos de autonomia em referendos populares entre maio e junho e vêem estas propostas como únicas vias para frear o partido governista.

str/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG