Evo Morales vence referendo na Bolívia e mira reeleição

Por Terry Wade LA PAZ (Reuters) - O presidente boliviano, Evo Morales, declarou vitória num referendo em que os eleitores aprovaram uma nova Constituição de viés esquerdista, mas líderes da oposição podem criar obstáculos a sua implementação, enquanto se preparam para desafiá-lo nas eleições de dezembro.

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Aprovada com 60 por cento dos votos num referendo no domingo, a nova Constituição visa dar mais poder à maioria indígena na Bolívia, permite que Morales se candidate à reeleição e lhe confere controle maior sobre a economia.

Evo Morales chegou à presidência há três anos e é popular entre a população pobre e os grupos indígenas aimarás, quechuas e guaranis, que vem sofrendo séculos de discriminação no país mais pobre da América do Sul.

Ele próprio índio aimará e ex-líder dos plantadores de coca, Morales é o primeiro presidente indígena da Bolívia e seguiu o exemplo de seus aliados socialistas, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, em buscar aprovar novas Constituições.

Embora a nova Constituição tenha sido bem recebida no planalto andino, foi rejeitada em quatro das nove províncias bolivianas, as mais ricas do país, de acordo com pesquisas de boca de urna.

"O que foi ratificado é uma polarização em nível nacional", disse Carlos Hugo Laruta, colunista do jornal La Prensa. "Então os dois lados precisam rever suas posições sobre a implementação da Constituição e as eleições de dezembro."

Morales disse que a Bolívia precisará aprovar cerca de 100 leis para implementar a maioria das reformas previstas na Constituição, incluindo as normas para a eleição de juízes da Suprema Corte, numa votação popular.

Para fazê-lo, ele pode trabalhar com a oposição, que tem maioria no Senado, ou correr o risco de despertar a ira dela, passando ao largo do Congresso e aprovando a Constituição por decretos.

Líderes oposicionistas nas províncias orientais, onde a economia é dominada por uma elite de origem européia ou miscigenada, querem mais autonomia do governo central.

Entre 55 por cento e 60 por cento dos 9,2 milhões bolivianos é formada por indígenas. A política boliviana segue divisões raciais e regionais.

Enquanto implementa a Constituição, Morales também fará campanha para ser reeleito para novo mandato de cinco anos, em dezembro, para tentar realizar sua agenda socialista. Por enquanto ele é o candidato favorito, na medida em que os conservadores estão divididos e não contam com um candidato forte.

Mas a popularidade do presidente pode diminuir se as vendas e os preços do gás natural boliviano, cujas exportações formam a principal fonte de receita do país, caírem em função da crise econômica global. O Brasil, maior comprador do gás boliviano, já reduziu o volume importado.

A oposição diz que vem ganhando terreno. Os 60 por cento dos eleitores que votaram "sim" no domingo já são menos que os 67 por cento que Morales obteve numa eleição no ano passado.

Seus críticos aproveitaram a margem de vitória menor para dizer que tentarão bloquear as reformas previstas na nova Constituição ou forçar o presidente a fazer concessões.

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