Evo Morales promulga nova Constituição da Bolívia

BOLÍVIA - O presidente boliviano, Evo Morales, promulgou neste sábado a nova Constituição nacional, de viés estatizante e indigenista, com o que pretende introduzir mudanças em seu país, o mais pobre da América do Sul.

Redação com agências internacionais |

A nova carta magna, a primeira aprovada em um referendo e a 17ª nos 183 anos de história republicana na Bolívia, dá mais poder ao líder indígena e consolida o controle estatal da economia. Também permitirá autonomias regionais, proibirá latifúndios, reforçará o controle público sobre as reservas de gás e dará a Morales a possibilidade de uma reeleição imediata.

Reuters
Evo Morales, durante a promulgação da nova Constituição do país

De acordo com o líder indígena, a carta magna marca o início da transição de um Estado "neocolonial" a outro "plurinacional" que busca garantir a igualdade de direitos para todos os cidadãos.

Ao mesmo tempo, ela põe a Bolívia em linha com mudanças socialistas já instauradas nas Constituições da Venezuela e do Equador.

A nova Constituição entra em vigor duas semanas depois de ser aprovada em um referendo com 61,43% dos votos.

Escândalo

O promulgação, no entanto, foi marcada por um escândalo envolvendo a empresa nacional de exploração de petróleo YPFB, que atinge diretamente um dos colaboradores mais próximos do presidente.

A festa que o governo preparava para a promulgação da nova Carta, na cidade de El Alto, importante bastião eleitoral de Morales, ficou em segundo plano, depois de denúncias de corrupção afetando o gabinete de Morales.

O caso já provocou a queda do presidente da YPFB, Santos Ramírez, homem de confiança de Morales, que é investigado por "não cumprimento de deveres, uso indevido de influência e contratos prejudiciais ao Estado", segundo a vice-ministra da Transparência, Nardi Suxo, encarregada por Morales de colher os depoimentos.

Além disso, a investigação de uma comissão do Senado e um relatório da promotoria citam o ex-ministro de Hidrocarbonetos Carlos Villegas, nomeado novo presidente da petroleira estatal, levantou novas preocupações.

Reuters
Milhares assistem o presidente promulgar a nova constituição


Na quarta-feira, Villegas disse no Senado que desconhecia o contrato com a Catler Uniservice, supostamente assinado por Ramírez em meio a irregularidades por 86 milhões de dólares, apesar do capital declarado da firma argentino-boliviana ser de apenas US$ 7 mil dólares.

O caso veio à tona depois do assassinato, em 27 de janeiro, de um diretor da empresa, que carregava US$ 450 mil dólares em dinheiro vivo, que supostamente seriam entregues a Ramírez, destituído poucos dias depois por Morales.

(Com informações da AFP e da Reuters)

Leia mais sobre: Evo Morales

    Leia tudo sobre: evo morales

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG