Evo Morales permanece em vigília diante do Congresso da Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, permanece desde segunda-feira em vigília na praça de armas de La Paz junto a milhares de camponeses e operários à espera que o Congresso aprove um referendo sobre a nova Constituição.

AFP |

O presidente, que encabeçou uma marcha pelo planalto boliviano, que os organizadores calculam em mais de 100.000 participantes, decidiu esperar na entrada do palácio presidencial junto a seus sindicatos, enquanto o Congresso debate a Carta Magna também sem interrupções.

Morales protestou contra o que considera uma nova manobra da oposição, que, depois de um acordo político que permitiu a instalação da sessão do Congresso, "pretende cansar e provocar", dilatando a aprovação da lei de referendo para validar seu projeto constitucional, com o qual prometeu fazer a refundação da Bolívia.

Apesar de um acordo ter sido alcançado na segunda-feira pelas cúpulas de quatro partidos (um do governo e três opositores), alguns grupos de parlamentares, particularmente do departamento de Santa Cruz (leste), estão reticentes em apoiar o entendimento.

Congressistas do governo e da oposição acertaram na segunda-feira a convocação de um referendo sobre a nova Constituição da Bolívia, que inclui a reeleição do presidente Evo Morales por apenas uma vez, anunciou o vice-presidente Alvaro García.

Segundo Alvaro García, o projeto da nova Constituição prevê a reeleição presidencial por apenas uma vez, com um eventual segundo mandato de Morales chegando a 2014.

Morales assumiu em janeiro de 2006 e pela atual Constituição, governaria até janeiro de 2011, sem direito à reeleição.

O texto original da nova Carta Magna permitia a reeleição de Morales por duas vezes, com um eventual governo contínuo até 2019.

O acordo anunciado estabelece que o referendo sobre a nova Constituição será realizado em janeiro de 2009, com eleições gerais antecipadas em dezembro do mesmo ano para renovar os poderes Executivo e Legislativo.

O Movimento Ao Socialismo (MAS, esquerda) e os partidos de oposição Podemos, Movimento Nacionalista Revolucionário e Unidade Nacional chegaram a um entendimento após mais de dez dias de negociações envolvendo a nova Carta Magna.

Morales resolveu liderar uma grande passeata à Praça das Armas, no centro de La Paz, para pressionar pela aprovação do referendo sobre a nova Constituição.

A nova Constituição é vital para Morales consolidar sua visão estatizante e indigenista.

Para aprovar o referendo constitucional, o governo precisa de dois terços dos votos do Parlamento (105 de 157 cadeiras). Os partidos governistas somam 84 cadeiras, contra 73 da oposição.

jac/LR/cn

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