Evo Morales pede aos EUA que citem grupos que conspiram contra a Bolívia

La Paz, 17 jun (EFE).- O presidente boliviano, Evo Morales, criticou hoje a convocação para consultas do embaixador dos Estados Unidos em La Paz, Philip Goldberg, e pediu que o Governo de George W.

EFE |

Bush também cite os grupos que "conspiram" contra a democracia na Bolívia.

As relações entre Morales e os EUA, caracterizadas pela permanente tensão, estão em um momento crítico após a chamada para consultas do embaixador Goldberg, que hoje mesmo partiu rumo a Washington para explicar a seu Governo a situação de segurança em que se encontra sua legação.

A decisão obedece à violenta manifestação que, em 9 de junho, foi realizada por milhares de cidadãos de El Alto (cidade próxima a La Paz e reduto eleitoral de Morales) contra a Embaixada americana, em protesto contra o asilo político concedido ao ex-ministro Carlos Sánchez Berzaín.

Ele é acusado de genocídio por mais de 60 mortes ocorridas em distúrbios em outubro de 2003.

Os manifestantes tentaram quebrar a segurança do escritório diplomático com bombas, paus e pedras, mas foram repelidos com gás lacrimogêneo pelos agentes, o que causou a substituição do comandante da Polícia de La Paz, coronel Víctor Hugo Escóbar.

O Departamento de Estado dos EUA pôs em dúvida a disposição do Governo da Bolívia a cumprir a Convenção de Viena relativa à proteção do pessoal e das instalações diplomáticas.

Diante desta situação, Morales voltou hoje a denunciar que grupos como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) conspiram contra seu Governo e contra a democracia na Bolívia e, por isso, pediu a Bush que lhes chamem para dar explicações.

Além disso, justificou o protesto contra a Embaixada como "a reação do povo contra as políticas do Governo dos EUA, que vai protegendo e encobrindo delinqüentes", referindo-se a Sánchez Berzaín e ao ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, também acusado de genocídio na Bolívia.

Morales, o chanceler boliviano David Choquehuanca e seu partido, Movimento para o Socialismo (MAS), minimizaram a importância da chamada a consultas de Goldberg, que disseram considerar uma questão de "rotina".

O deputado do MAS Gustavo Torrico disse hoje à Agência Efe estar convencido de que as relações com os EUA não serão rompidas, e lembrou que o Governo Bush manteve seus vínculos com países onde suas embaixadas foram atacadas, até mesmo com carros-bomba.

"Os EUA procuram o tratamento que recebem, pois atuam como sargentos do mundo, intervindo nos assuntos internos de outros Estados", completou.

Após descartar novas mobilizações em La Paz contra a Embaixada americana, Torrico opinou que "o melhor" nesta situação seria que os EUA designassem um novo embaixador para a Bolívia.

A nova crise com os Estados Unidos suscitou hoje também a reação dos opositores de Morales, que o acusaram de alimentar um enfrentamento para ocultar os verdadeiros problemas do país.

O senador Roger Pinto, da aliança conservadora Podemos, pediu hoje a Morales que rompa relações com os americanos se puder demonstrar a conspiração que "sistematicamente" denuncia.

Em declarações à Agência Efe, Roger Pinto criticou o comportamento "falso e mentiroso" do chefe de Estado em relação aos EUA, e o acusou de confundir os bolivianos e de arriscar inclusive suas vidas promovendo manifestações como a do dia 9.

O senador do Podemos disse que Morales conseguiu confrontar a Bolívia "com todos os países".

"Só nos damos bem com (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez e (o líder iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad", disse.

Os "atritos" entre Morales - que se define como "antiimperialista" - e o Governo americano foram constantes desde que o líder chegou ao poder no final de 2005.

Além de manter inflamadas diferenças nas políticas comerciais e de narcotráfico, Morales acusou o EUA - e especialmente o embaixador Goldberg - de promover uma conspiração para derrubá-lo, e de financiar economicamente a seus opositores. EFE sam/rb/gs

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG